O velejador brasileiro Lars Grael é decacampeão brasileiro, pentacampeão
sul-americano e campeão mundial. Participou de quatro Jogos Olímpicos e ganhou
medalhas em duas edições, em ambas conquistando o pódio apenas na última regata
e com más condições climáticas. Desafios são normais na vida de Lars.
Seu pai era militar do Exército Brasileiro, amante da Educação
Física e grande incentivador dos esportes. Mas de início era contra a vela por
se tratar de “esporte de rico” e por não poder bancar os altos custos de
equipamento e logística para as competições.Mas Lars começou a velejar cedo, para
se divertir, com barcos emprestados. Por influência de seu irmão começou a
competir e juntos conquistaram os primeiros títulos de expressão: bicampeões
brasileiros e campeões mundiais.
Lars se classificou para a Olimpíada de Los Angeles com um
barco caindo aos pedaços. No fim da última regata do pré-Olímpico seu barco não
aguentou o tranco e ele não tinha dinheiro para comprar um barco de 25 mil
dólares para ir para a Olimpíada. Lars ligou para empresas, amigos ricos e bateu em
dezenas de portas. Uma se abriu. E se abriu com os 25mil dólares que ele
precisava para ir a Olimpíada. Para quem vê de fora, Lars Grael teve muito
azar.
Em 1998, Lars sofreu um grave acidente em que perdeu a perna
para o resto da vida. Mas ao contar sua história sempre faz o público olhar o
“copo meio cheio”. Um amigo seu estava competindo num barco muito próximo e o
ajudou a sair da água. Ele era dentista e tinha um bom conhecimento de
primeiros socorros.
O piloto da lancha percebeu o dano que tinha feito e voltou
para prestar socorro ao Lars. Com a lancha em alta velocidade, conseguiram
chegar rápido a terra firme. Chegando lá, havia um outro atleta da vela que era
médico especializado na parte vascular e, por um acaso, não estava na água
competindo.Ele usou cordas náuticas para estancar o sangramento da
artéria femoral e improvisou um curativo. A regata tinha patrocínio de um plano
de saúde, que havia deixado uma ambulância como promoção. Lars foi de
ambulância para o hospital. Sua vida foi salva.
Em 2009, após 11 anos, Lars voltou a integrar a Equipe
Permanente de Vela Olímpica ao conquistar a Semana Pré Olímpica em Porto
Alegre. E neste ano Lars indicou o velejador Clínio Freitas para conduzir a
Tocha Olímpica Rio 2016. Ele decidiu homenagear seu ex-parceiro de Jogos
Olímpicos, que foi o primeiro a pular e ajudar a tirá-lo da água após o
atropelamento de barco que sofreu em 1998.
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