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Monday, November 9, 2015

A história do velejador Lars Grael

O velejador brasileiro Lars Grael é decacampeão brasileiro, pentacampeão sul-americano e campeão mundial. Participou de quatro Jogos Olímpicos e ganhou medalhas em duas edições, em ambas conquistando o pódio apenas na última regata e com más condições climáticas. Desafios são normais na vida de Lars.

Seu pai era militar do Exército Brasileiro, amante da Educação Física e grande incentivador dos esportes. Mas de início era contra a vela por se tratar de “esporte de rico” e por não poder bancar os altos custos de equipamento e logística para as competições.Mas Lars começou a velejar cedo, para se divertir, com barcos emprestados. Por influência de seu irmão começou a competir e juntos conquistaram os primeiros títulos de expressão: bicampeões brasileiros e campeões mundiais.

Lars se classificou para a Olimpíada de Los Angeles com um barco caindo aos pedaços. No fim da última regata do pré-Olímpico seu barco não aguentou o tranco e ele não tinha dinheiro para comprar um barco de 25 mil dólares para ir para a Olimpíada. Lars ligou para empresas, amigos ricos e bateu em dezenas de portas. Uma se abriu. E se abriu com os 25mil dólares que ele precisava para ir a Olimpíada. Para quem vê de fora, Lars Grael teve muito azar.

Em 1998, Lars sofreu um grave acidente em que perdeu a perna para o resto da vida. Mas ao contar sua história sempre faz o público olhar o “copo meio cheio”. Um amigo seu estava competindo num barco muito próximo e o ajudou a sair da água. Ele era dentista e tinha um bom conhecimento de primeiros socorros.

O piloto da lancha percebeu o dano que tinha feito e voltou para prestar socorro ao Lars. Com a lancha em alta velocidade, conseguiram chegar rápido a terra firme. Chegando lá, havia um outro atleta da vela que era médico especializado na parte vascular e, por um acaso, não estava na água competindo.Ele usou cordas náuticas para estancar o sangramento da artéria femoral e improvisou um curativo. A regata tinha patrocínio de um plano de saúde, que havia deixado uma ambulância como promoção. Lars foi de ambulância para o hospital. Sua vida foi salva.

Em 2009, após 11 anos, Lars voltou a integrar a Equipe Permanente de Vela Olímpica ao conquistar a Semana Pré Olímpica em Porto Alegre. E neste ano Lars indicou o velejador Clínio Freitas para conduzir a Tocha Olímpica Rio 2016. Ele decidiu homenagear seu ex-parceiro de Jogos Olímpicos, que foi o primeiro a pular e ajudar a tirá-lo da água após o atropelamento de barco que sofreu em 1998.

Tuesday, October 20, 2015

De doméstica a ministra

O gabinete da mais nova ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Delaíde Miranda Arantes, teria tudo para ser apenas mais uma suntuosa sala de trabalho do primeiro escalão do Judiciário não fossem duas pequenas fotos em preto e branco que decoram a mesa de trabalho da magistrada. Diminutas quando colocadas naquele amplo cenário de 70 metros quadrados com uma vista privilegiada do Lago Paranoá, as fotografias destoam da pompa que as cerca não pela simples moldura de madeira, mas sim pelo que retratam: duas dessas casinhas simplórias do interior rural brasileiro, pintadas com cal, com duas janelas e uma porta. As duas estão postadas sobre a longa mesa onde Delaíde dá expediente desde o dia 24 de março e dividem espaço com computadores de última geração, estantes repletas de obras de encadernação luxuosa e com móveis modernos que dão um ar sobriamente requintado ao gabinete.
As duas fotografias de cerca de 15 centímetros foram os únicos artigos pessoais que Delaíde levou para o gabinete. “Essas fotos são muito importantes para mim”, diz a ministra. “Foi nessas casas que passei minha infância, uma infância dura que me preparou para enfrentar todos os desafios que me fizeram chegar até aqui. Foi lá que comecei minha história.”
Em um país onde a inércia social sempre foi regra, Delaíde tem razão em orgulhar-se das duas pequenas casas que representam a epopeia que fez essa goiana de 58 anos abandonar a dura realidade do Brasil rural da década de 50 para alcançar um dos maiores postos do Judiciário brasileiro. Delaíde nasceu em uma delas, na pequena cidade de Pontalina, a 120 quilômetros da capital Goiânia. Filha de pequenos agricultores, passou a infância entre a diversão nas jabuticabeiras do sítio e a lida nas pequenas lavouras de feijão, arroz e milho que sustentaram sua família por décadas. “Aos 8 anos eu já ajudava meu pai na roça”, conta Delaíde.
Aos 16 anos, a ministra enfrentou o dilema que até hoje divide famílias rurais Brasil afora: continuar no campo trabalhando a terra pouco produtiva ou seguir para a cidade em busca de emprego para dar continuidade aos estudos. Optou por ser empregada doméstica a fim de conseguir estadia, comida e algum dinheiro para poder concluir o segundo grau. Por dois anos dividiu os cadernos com o escovão de aço, o ferro de passar roupa e a incômoda situação de saber ser explorada. Mesmo trabalhando as regulamentares oito horas diárias não recebia nem o equivalente ao salário mínimo. “Eu nem ao menos me lembro quanto era, mas só sei que era pouco, muito pouco.”
Foram dois anos assim. Ao terminar o segundo grau, Delaíde seguiu para Goiânia. Estava decidida a tornar-se advogada. Sem dinheiro para fazer um curso preparatório para o vestibular, começou a trabalhar como secretária em uma revendedora de tratores. “Passei quase dez anos trabalhando de dia e estudando à noite, até me formar em direito, aos 27 anos”, conta a magistrada. Já advogada, Delaíde especializou-se na área trabalhista, montou um escritório próprio em Goiânia e por três décadas defendeu empregados que, como ela na adolescência, se sentiam explorados por seus patrões. No ano passado, Delaíde foi indicada pela OAB para ocupar o cargo de ministra do TST e seu nome foi o escolhido entre outros dois indicados pela presidente Dilma Rousseff.
Agora, a ex-empregada doméstica tem o poder de decidir o destino de pelo menos 11 mil ações trabalhistas que estão sob sua alçada no TST. “São 11 mil processos, são 11 mil vidas. Cada processo é uma vida”, diz a ministra, que promete dar atenção especial àquelas mulheres que, como ela um dia, dedicam-se a cuidar da casa de terceiros. “O fato de o FGTS ser opcional para doméstica é resquício da escravidão. É preciso reformar a legislação trabalhista”, diz. Casada com o ex-deputado Aldo Arantes (PCdoB-GO) e mãe de duas filhas, Delaíde orgulha-se do passado difícil. “Fui privilegiada por Deus por ter tido essa experiência, o trabalho me tornou mais humanista.” As duas fotos em preto e branco sobre sua mesa não deixam ninguém esquecer disso.
Reportagem de 2011 na Isto É: http://www.istoe.com.br/reportagens/132371_DE+DOMESTICA+A+MINISTRA 

Monday, September 28, 2015

Da infância humilde para o Supremo

Nascido em Paracatu, MG, Joaquim Barbosa, filho de pedreiro e dona de casa, teve uma infância pobre. As dificuldades que enfrentou só serviram para impulsionar sua vontade de estudar. Com a ajuda de parentes, se mudou para Brasília para estudar em uma escola pública.

Para se manter, trabalhou como faxineiro e na gráfica do Senado. O curso de Direito na Universidade de Brasília foi o início de uma carreira acadêmica intensa. Joaquim Barbosa fala quatro idiomas e é mestre e doutor em direito público pela Universidade de Paris.

Foi indicado para o Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Lula, em 2003, tendo sido o primeiro negro a assumir a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal). Atuou no Supremo durante onze anos, onde foi figura central do julgamento do mensalão, o mais rumoroso da história do STF.



Em 2013 foi eleito pela Revista Time como uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Foi incluído também em uma lista de 10 brasileiros que foram notícia no mundo em 2013, elaborada pela BBC Brasil.

O menino e a tábua

Um menino tinha o grande defeito, nos tranquilos dias da infância, de desanimar com demasiada facilidade quando uma tarefa qualquer lhe parecia difícil.

Uma noite seu pai lhe entregou uma tabuazinha de pequena espessura e um canivete, e lhe pediu que, com este canivete, riscasse uma linha a toda largura da tábua. O garoto obedeceu suas instruções, e, em seguida, tábua e canivete foram trancados na escrivaninha de seu pai.

A mesma coisa foi repetida todas as noites seguintes; ao fim de uma semana o menino não aguentava mais de curiosidade.

A história continuava. Toda noite ele tinha que riscar com o canivete, uma vez, pelo sulco que se aprofundava.

Chegou afinal um dia em que não havia mais mais sulco. Com um último e leve esforço o garoto a tábua em duas. Seu pai  então disse:

"– Você nunca acreditaria que isto fosse possível, com tão pouco esforço, não é verdade? Pois o êxito ou fracasso de sua vida não depende tanto de quanta força você põe numa tentativa, mas da persistência no que faz."

Uma mulher de ação

A educadora Yvonne Bezerra de Mello é uma das maiores ativistas sociais do Brasil. A experiência de ajudar as crianças vítimas da Chacina da Candelária, em 1993, mudou sua vida. Foi a partir dessa tragédia que ela descobriu que precisava fazer mais pelos meninos e meninas de rua. Veja alguns pensamentos dela:

“Desde muito pequena, minha mãe me ensinou que o pensamento positivo sobre todas as coisas que acontecem na vida é a chave para o equilíbrio e o sucesso. A palavra “NÃO” inexistia em nossa casa e toda vez que havia resistência ou limites, eles me eram explicados para que eu entendesse a situação. Esse entendimento de que não existem problemas, mas soluções, norteou minha infância, adolescência e ainda hoje me influencia.”

“Os anos de universidade e pesquisa me ensinaram que aquele que cede nas suas ideias é um sério candidato à mediocridade. Passei a perseguir cada vez mais o objetivo: evitar que milhões de crianças se tornassem subempregados, trabalhadores infantis e que nunca tivessem um lugar de destaque nas sociedades de diversos países.


Mas de nada servem os estudos e pesquisas se não passarmos à ação. É a ação que move montanhas e que leva o homem a criar, construir e melhorar sua existência e a dos outros. Depois da chacina da Candelária, abri a primeira sala de aula do Projeto Uerê, uma escola alternativa, debaixo de um viaduto, para 150 crianças e jovens. Foi quando entendi que para fazer o bem não é necessário, num primeiro momento, ter fundos. A vontade ultrapassa todo o dinheiro do mundo. É preciso fazer, deixar seus impulsos se tornarem realidade. Descobri que nada é impossível quando realmente se quer alguma coisa.”

Sunday, September 27, 2015

O fazendeiro e os filhos
Um fazendeiro sentiu a morte próxima e chamou os filhos para contar um segredo.
- Meus filhos, eu vou morrer. Quero dizer que no nosso terreno há um tesouro escondido. Se vocês cavarem, vão encontrar.
Logo que o pai morreu, os filhos pegaram pás e ancinhos e reviraram o terreno de todo jeito procurando o tesouro. Não acharam nada, mas a terra trabalhada produziu uma colheita nuca vista.
O trabalho é o verdadeiro tesouro.