Monday, November 9, 2015

A história do velejador Lars Grael

O velejador brasileiro Lars Grael é decacampeão brasileiro, pentacampeão sul-americano e campeão mundial. Participou de quatro Jogos Olímpicos e ganhou medalhas em duas edições, em ambas conquistando o pódio apenas na última regata e com más condições climáticas. Desafios são normais na vida de Lars.

Seu pai era militar do Exército Brasileiro, amante da Educação Física e grande incentivador dos esportes. Mas de início era contra a vela por se tratar de “esporte de rico” e por não poder bancar os altos custos de equipamento e logística para as competições.Mas Lars começou a velejar cedo, para se divertir, com barcos emprestados. Por influência de seu irmão começou a competir e juntos conquistaram os primeiros títulos de expressão: bicampeões brasileiros e campeões mundiais.

Lars se classificou para a Olimpíada de Los Angeles com um barco caindo aos pedaços. No fim da última regata do pré-Olímpico seu barco não aguentou o tranco e ele não tinha dinheiro para comprar um barco de 25 mil dólares para ir para a Olimpíada. Lars ligou para empresas, amigos ricos e bateu em dezenas de portas. Uma se abriu. E se abriu com os 25mil dólares que ele precisava para ir a Olimpíada. Para quem vê de fora, Lars Grael teve muito azar.

Em 1998, Lars sofreu um grave acidente em que perdeu a perna para o resto da vida. Mas ao contar sua história sempre faz o público olhar o “copo meio cheio”. Um amigo seu estava competindo num barco muito próximo e o ajudou a sair da água. Ele era dentista e tinha um bom conhecimento de primeiros socorros.

O piloto da lancha percebeu o dano que tinha feito e voltou para prestar socorro ao Lars. Com a lancha em alta velocidade, conseguiram chegar rápido a terra firme. Chegando lá, havia um outro atleta da vela que era médico especializado na parte vascular e, por um acaso, não estava na água competindo.Ele usou cordas náuticas para estancar o sangramento da artéria femoral e improvisou um curativo. A regata tinha patrocínio de um plano de saúde, que havia deixado uma ambulância como promoção. Lars foi de ambulância para o hospital. Sua vida foi salva.

Em 2009, após 11 anos, Lars voltou a integrar a Equipe Permanente de Vela Olímpica ao conquistar a Semana Pré Olímpica em Porto Alegre. E neste ano Lars indicou o velejador Clínio Freitas para conduzir a Tocha Olímpica Rio 2016. Ele decidiu homenagear seu ex-parceiro de Jogos Olímpicos, que foi o primeiro a pular e ajudar a tirá-lo da água após o atropelamento de barco que sofreu em 1998.

Tuesday, October 27, 2015

Mãos talentosas

Benjamin Solomon Carson é um médico neurocirurgião pediátrico, psicólogo, escritor, professor e filantropo estadunidense. Carson entrou para a história da medicina no ano de 1987 ao separar gêmeos siameses unidos pela cabeça – um procedimento que levou cinco meses de planejamento, 50 horas na execução e que envolveu 70 médicos, enfermeiros e técnicos. Atualmente, é diretor do Departamento de Neurocirurgia Pediátrica do Hospital Johns Hopkins. Ele foi premiado com a Medalha Presidencial da Liberdade em 2008 pelo então presidente dos Estados Unidos George W.Bush, a maior honraria civil daquele país, dentre vários outros que o consagraram. Em 4 de maio de 2015, em um comício na sua cidade natal, Detroit, Carson anunciou que concorreria para a nomeação republicana na eleição presidencial de 2016.

Carson disse que teve dificuldades no início do ensino fundamental, tornando-se o pior aluno de sua classe e alvo de abuso de seus colegas, e desenvolveu, em seguida, um incontrolável temperamento agressivo.Determinada a mudar a vida de seu filho, a Sra. Carson limitou o tempo que Ben passava assistindo a televisão e se recusou a deixá-lo sair para jogar até que ele terminasse a lição de casa todos os dias. Ela exigiu a leitura de dois livros por semana, com relatórios escritos sobre o que lia, porém, devido às limitações de sua formação, mal conseguia ler os relatórios que Ben escrevia. Ben logo surpreendeu seus colegas e professores com novos conhecimentos, "Foi nesse momento que eu percebi que não era burro", recordou mais tarde. Um ano depois, Ben Carson foi considerado o melhor aluno de sua classe.

Depois de determinar que queria ser um psiquiatra, Carson se formou com honras no ensino médio, com a participação da Universidade Yale, onde obteve uma licenciatura em psicologia. Ele então estudou na Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, onde seu interesse se deslocou para a neurocirurgia. Sua coordenação olho-mão e excelente capacidade de raciocínio fez dele um excelente cirurgião .Depois da escola médica ele se tornou o primeiro afro-americano residente de neurocirurgia do Hospital Johns Hopkins, em Baltimore. Aos 33 anos, tornou-se chefe dos residentes em neurocirurgia do hospital.


Thursday, October 22, 2015

Talvez

Há um antigo conto Taoista sobre um velho fazendeiro que trabalhou em seu campo por muitos anos.
Um dia seu cavalo fugiu. Ao saber da notícia, seus vizinhos vieram visitá-lo.
"Que má sorte!", eles disseram solidariamente.
"Talvez", o fazendeiro calmamente replicou.
Na manhã seguinte, o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens.
"Que maravilhoso!", os vizinhos exclamaram.
"Talvez", replicou o velho homem.
No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e quebrou a perna.
Os vizinhos novamente vieram para oferecer sua simpatia pela má fortuna.
"Que pena", disseram.
"Talvez", respondeu o fazendeiro.
No próximo dia, oficiais militares vieram à vila para convocar todos os jovens ao serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo que o filho do velho homem estava com a perna quebrada, eles o dispensaram.
Os vizinhos congratularam o fazendeiro pela forma com que as coisas tinham se virado a seu favor.
O velho olhou-os e, com um leve sorriso, disse suavemente:
"Talvez".
Quando um agente de mudança bater à sua porta, o melhor é dar-lhe boas-vindas e incorporá-lo à sua vida, aceitando a transformação. Afinal, sorte ou azar é também uma questão de ponto de vista.
(Autor desconhecido.)

Tuesday, October 20, 2015

A formiga boa

Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé dum formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu divertimento então era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas.
Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas. Os animais todos arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.
A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.
Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu: tique, tique, tique...
Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina.
"Que quer?", perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.
"Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu..."
A formiga olhou-a de alto a baixo.
"E que fez durante o bom tempo, que não construiu sua casa?"
A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse.
"Eu cantava, bem sabe..."
"Ah!", exclamou a formiga recordando-se. "Era você então quem cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?"
"Isso mesmo, era eu..."
"Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraia e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre amiga, que aqui, terá cama e mesa durante todo o mau tempo."
A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.
(Monteiro Lobato - Fábulas, São Paulo, Editora Brasiliense, 1966)

A história do carrossel holandês

Até a Copa do Mundo de 1974, a participação da Holanda em Mundiais era pífia: havia jogado apenas em 1934 e 1938 quando somaram duas derrotas em igual número de jogos. Os holandeses chegaram à Alemanha em 74 dispostos a mudar isso e traziam uma grande geração de craques que haviam feito sucesso nas competições de clubes europeus.

Os holandeses, comandados pelo técnico Rinus Michel, trouxeram à Copa um novo conceito de organização em campo: o “futebol total”. Muita marcação-pressão para abafar o adversário e roubar a bola e multiplicidade de funções dos jogadores, sem se descuidar de sua função principal. Todo o meio-campo ajudava a marcar, incluindo Cruyff e os atacantes Rep e Rensenbrink. Sempre que um rival tinha a bola, dois, três laranjinhas chegavam e lhe tiravam a bola. Retomando a bola, o time buscava muito toque e movimentação constante de todos os jogadores pelo campo, com atacantes e defensores se revezando em um esquema com atletas de alto nível técnico.

O time ganhou o apelido de “carrossel holandês” e os adversários de 1974 foram caindo um a um. A Holanda ficou em primeiro no seu grupo vencendo Uruguai e Bulgária e empatando com a Suécia. Na segunda fase a Holanda atropelou a Argentina (4 a 0), a Alemanha Oriental (2 a 0) e o Brasil, então campeão mundial (2 a 0). O time laranja se classificou para a final com a Alemanha Ocidental e chegou a abrir o placar aos 8 minutos em um gol de pênalti.


Segundo Rep, que foi o artilheiro da Holanda nas Copas do Mundo, esse gol logo no começo foi uma maldição para a seleção holandesa. “Foi muito cedo, esquecemos de fazer o segundo e começamos a brincar. Os alemães começaram a ficar agressivos e perdemos uma final que todos esperavam que ganhássemos”, explica Rep.

O que o modelo do "futebol total" do "carrossel holandês" nos ensina em termos de organização? E de boa vontade?

De doméstica a ministra

O gabinete da mais nova ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Delaíde Miranda Arantes, teria tudo para ser apenas mais uma suntuosa sala de trabalho do primeiro escalão do Judiciário não fossem duas pequenas fotos em preto e branco que decoram a mesa de trabalho da magistrada. Diminutas quando colocadas naquele amplo cenário de 70 metros quadrados com uma vista privilegiada do Lago Paranoá, as fotografias destoam da pompa que as cerca não pela simples moldura de madeira, mas sim pelo que retratam: duas dessas casinhas simplórias do interior rural brasileiro, pintadas com cal, com duas janelas e uma porta. As duas estão postadas sobre a longa mesa onde Delaíde dá expediente desde o dia 24 de março e dividem espaço com computadores de última geração, estantes repletas de obras de encadernação luxuosa e com móveis modernos que dão um ar sobriamente requintado ao gabinete.
As duas fotografias de cerca de 15 centímetros foram os únicos artigos pessoais que Delaíde levou para o gabinete. “Essas fotos são muito importantes para mim”, diz a ministra. “Foi nessas casas que passei minha infância, uma infância dura que me preparou para enfrentar todos os desafios que me fizeram chegar até aqui. Foi lá que comecei minha história.”
Em um país onde a inércia social sempre foi regra, Delaíde tem razão em orgulhar-se das duas pequenas casas que representam a epopeia que fez essa goiana de 58 anos abandonar a dura realidade do Brasil rural da década de 50 para alcançar um dos maiores postos do Judiciário brasileiro. Delaíde nasceu em uma delas, na pequena cidade de Pontalina, a 120 quilômetros da capital Goiânia. Filha de pequenos agricultores, passou a infância entre a diversão nas jabuticabeiras do sítio e a lida nas pequenas lavouras de feijão, arroz e milho que sustentaram sua família por décadas. “Aos 8 anos eu já ajudava meu pai na roça”, conta Delaíde.
Aos 16 anos, a ministra enfrentou o dilema que até hoje divide famílias rurais Brasil afora: continuar no campo trabalhando a terra pouco produtiva ou seguir para a cidade em busca de emprego para dar continuidade aos estudos. Optou por ser empregada doméstica a fim de conseguir estadia, comida e algum dinheiro para poder concluir o segundo grau. Por dois anos dividiu os cadernos com o escovão de aço, o ferro de passar roupa e a incômoda situação de saber ser explorada. Mesmo trabalhando as regulamentares oito horas diárias não recebia nem o equivalente ao salário mínimo. “Eu nem ao menos me lembro quanto era, mas só sei que era pouco, muito pouco.”
Foram dois anos assim. Ao terminar o segundo grau, Delaíde seguiu para Goiânia. Estava decidida a tornar-se advogada. Sem dinheiro para fazer um curso preparatório para o vestibular, começou a trabalhar como secretária em uma revendedora de tratores. “Passei quase dez anos trabalhando de dia e estudando à noite, até me formar em direito, aos 27 anos”, conta a magistrada. Já advogada, Delaíde especializou-se na área trabalhista, montou um escritório próprio em Goiânia e por três décadas defendeu empregados que, como ela na adolescência, se sentiam explorados por seus patrões. No ano passado, Delaíde foi indicada pela OAB para ocupar o cargo de ministra do TST e seu nome foi o escolhido entre outros dois indicados pela presidente Dilma Rousseff.
Agora, a ex-empregada doméstica tem o poder de decidir o destino de pelo menos 11 mil ações trabalhistas que estão sob sua alçada no TST. “São 11 mil processos, são 11 mil vidas. Cada processo é uma vida”, diz a ministra, que promete dar atenção especial àquelas mulheres que, como ela um dia, dedicam-se a cuidar da casa de terceiros. “O fato de o FGTS ser opcional para doméstica é resquício da escravidão. É preciso reformar a legislação trabalhista”, diz. Casada com o ex-deputado Aldo Arantes (PCdoB-GO) e mãe de duas filhas, Delaíde orgulha-se do passado difícil. “Fui privilegiada por Deus por ter tido essa experiência, o trabalho me tornou mais humanista.” As duas fotos em preto e branco sobre sua mesa não deixam ninguém esquecer disso.
Reportagem de 2011 na Isto É: http://www.istoe.com.br/reportagens/132371_DE+DOMESTICA+A+MINISTRA 

Embaixadora da Boa Vontade para os Refugiados

Angelina Jolie, atriz,  dubladora, diretora, produtora e roteirista norte-americana atua como Embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Tudo começou em 2001, quando recebeu o "script" de "Beyond Borders", um filme em que era convidada a interpretar a protagonista Sarah, uma americana que resolvera abandonar a sua fácil e fútil vida londrina para se tornar numa trabalhadora humanitária nos campos de refugiados da Chechênia. O filme ficaria na gaveta vários anos, mas Angelina passou de imediato à ação.

Em entrevista à CNN em 2007, Jolie afirmou: “Em Serra Leoa, eu tive a compreensão de que existem horrores reais no mundo e um tipo de crueldade e de violência que eu não sabia que existia. Eu desconhecia que as pessoas podiam sofrer daquela forma, tantas pessoas que tiveram braços e pernas sistematicamente cortados. Até crianças de três anos de idade sem braços e pernas porque eles foram cortados, ou amigos que tiveram que cortar mãos e pernas de outros amigos e ficaram traumatizados. Situações brutais que eu nunca tinha visto. Eu me senti tão ignorante, tão ingênua, verdadeiras atrocidades acontecendo ao redor do mundo. E eu sabia que como mulher, como ser humano, tinha a responsabilidade de me inteirar sobre isso, não deixar essas pessoas passarem despercebidas. Pessoalmente, eu sabia que precisava disso e para que nunca mais fosse confrontada com uma situação em que pensasse ‘meu Deus, como eu não sabia que isso estava acontecendo’. E quanto mais e mais eu conhecia os refugiados e famílias de refugiados, via uma força, um espírito que nunca vi antes em qualquer outra pessoa. Eles não vivem como vítimas. Eles certamente sabem que foram injustiçados e são muito inteligentes, isso geralmente é algo que as pessoas não conectam aos refugiados, pensam neles como um grupo de desesperados. Einstein foi um refugiado. Eles são, na verdade, algumas das pessoas mais inteligentes, resilientes do mundo. E muitos deles, antes de se tornarem refugiados, tinham vidas semelhantes às nossas”.

Durante as filmagens de "Tomb Raider", no Camboja, decidiu adoptar Maddox, então com sete meses. Interrogada por um jornalista sobre as suas motivações humanitárias, respondeu: "Gostaria que Maddox me recordasse não apenas como uma atriz que fez bem filmes e que por isso ganhou prêmios, mas também como alguém que se preocupou com os outros e que fez, ou que pelo menos tentou, com que o mundo fosse melhor para os outros".

Angelina Jolie, para além de emprestar a sua mediática imagem, contribui também com um terço dos seus rendimentos para a causa dos refugiados. Parece-nos ser um marketing demasiado caro para a promoção de uma atriz. Talvez seja melhor acreditarmos mais nas pessoas, na sua "boa vontade" - é para isso que temos uma embaixadora.

Em boas mãos

Amigos do Bem: http://revistagloborural.globo.com/EditoraGlobo/componentes/article/edg_article_print/0,3916,1334166-1641-1,00.html

A Ratoeira

A Ratoeira
Conto de autoria desconhecida

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um
pacote. Pensou logo em que tipo de comida poderia estar ali.
Ficou aterrorizado quando descobriu que era uma ratoeira. Foi para o pátio da
fazenda advertindo a todos:
¯ Tem uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!
A galinha, que estava cacarejando e ciscando, levantou a cabeça e disse:
¯ Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que é um grande problema para o senhor, mas
não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato então foi até o cordeiro e disse a ele:
¯ Tem uma ratoeira na casa, uma ratoeira!
¯ Desculpe-me Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique
tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca. Ela respondeu:
¯ O que Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do
fazendeiro. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua
vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro, não viu
que a ratoeira pegara a cauda de uma cobra venenosa. A cobra picou a mulher.
O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo
sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja. O
fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal: a galinha.
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para
alimentá-los, o fazendeiro matou o cordeiro.
A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O
fazendeiro então sacrificou a vaca para alimentar todo aquele povo.
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e
acreditar que o problema não lhe diz respeito lembre-se que, quando há uma

ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.

Tuesday, October 6, 2015

Ele faz chover - Takeshi Imai

Depois de produzir chuvas artificiais, o engenheiro Takeshi Imai inova com a árvore-flecha. É sua solução para reflorestar áreas devastadas e de difícil acesso
Darcio Oliveira, Época Negócios

O engenheiro Takeshi Imai, de 68 anos, olhou para o céu claro de Bragança Paulista, balançou a cabeça e informou, um tanto desolado: “É uma pena, mas hoje não vai dar pra fazer chover. Não tem nenhuma cumulus congestus”. Diante de minha ignorância meteorológica, foi logo explicando: “Cumulus congestus é um tipo de nuvem que lembra uma couve-flor. Costumo dizer que são as nossas matérias-primas, pois é a partir delas que conseguimos precipitar as chuvas”. Eis o ganha-pão de Imai: a produção e venda de chuvas artificiais localizadas, uma atividade que vem ganhando especial relevância em tempos de aquecimento global e constantes alterações climáticas. Diferentemente de outros métodos de precipitação, que usam substâncias químicas como cloreto de sódio e iodeto de prata, o processo patenteado pelo inventor e operado por sua empresa, a ModClima, é puramente físico, uma reação de água com água. “A adição de produtos químicos já foi banida de alguns países, por representar riscos para a saúde”, afirma Imai. “Eu criei algo eficaz e ao mesmo tempo ecológico.”

Funciona assim: a bordo de um Piper Asteca, um avião bimotor dotado de um reservatório de 300 litros de água potável, a equipe da ModClima despeja micropartículas de água na base de nuvens previamente identificadas por softwares especializados. Somadas às gotículas já existentes na nuvem, as tais micropartículas produzem gotas maiores que, devido ao peso, precipitam a chuva. Em outras palavras, as gotas se unem e formam os pingos. A engenhosidade de Imai está na capacidade de controlar o tamanho da gota que será “semeada”. Isto ocorre graças a quatro bicos rotativos – que também funcionam como pulverizadores – acoplados na parte externa do avião. Para cada litro de água semeada são produzidos cerca de 500 mil litros de água de chuva, o equivalente ao carregamento de 50 caminhões-pipas. “A vantagem é que podemos direcionar a chuva para locais específicos, como reservatórios, mananciais e áreas agricultáveis”, afirma Imai. As chuvas duram, em média, de uma a três horas.

Árvore-flecha
Formado em engenharia mecânica pelo Mackenzie e mestre pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, Imai trabalha e mora (sozinho) no hangar de número 3 do pequeno aeroporto de Bragança Paulista, no interior de São Paulo. Inquieto e falante, é capaz de passar horas explicando suas invenções – que não são poucas –, ou dissertando sobre como os inovadores brasileiros sofrem com a falta de incentivos financeiros. “Olha isso aqui”, diz, apontando para um quadro na parede da sala de reuniões do hangar. “É o certificado que representa a medalha de ouro no Simpósio Internacional da Água, em Cannes. Lá fora eu sou premiado e aqui enfrento ceticismo em relação ao meu trabalho.” Sua ModClima ainda não está no azul. O faturamento no ano passado bateu em R$ 1,8 milhão, mas o que entra no caixa dissipa-se rapidamente, sob efeito da folha de pagamento de sete funcionários, dos gastos com combustíveis e manutenção dos dois aviões (além do Piper, há um Cessna 172) ou dos custos com os projetos piloto para cada uma das novas invenções. O orçamento da empresa não acompanha o ritmo de ideias de Imai.

No momento, por exemplo, a ModClima desenvolve a árvore-flecha. É exatamente o que o nome sugere. Em breve, o Cessna cortará os céus do Brasil, sobre regiões devastadas e de difícil acesso, e lançará – por meio de um sistema de balística – diversas setas de bambu que carregam mudas nativas acondicionadas em pequenos tubos biodegradáveis feitos de papel kraft (papelão). “Demoramos um bom tempo para calibrar a velocidade de lançamento e achar o material ideal para compor a flecha e os tubetes que levam as mudas”, conta Imai. O caso do bambu é curioso. Jogado do avião, o material mantinha a direção certa, exibia boa resistência e quase sempre acertava o alvo previamente estabelecido pela equipe da ModClima. Mas a flecha descia com tal velocidade que acabava completamente enterrada no solo, o que poderia comprometer a integridade das mudas. A intenção era que apenas espetasse o solo, o suficiente para fazer com que o papelão rompesse e colocasse a planta em contato com a terra. A saída encontrada por Imai foi colocar na parte de cima da flecha uma tira de papel, à guisa de rabiola de pipas, para freá-la. O problema foi resolvido. “Pensei em usar o bambu depois de ver os espetinhos de churrasco. E a embalagem de papelão para as mudas foi inspirada no formato da embalagem das batatinhas do McDonald’s”, conta, sorrindo, o inventor.

Quanto às mudas, são espécies nativas delineadas por botânicos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Acondicionadas por dez dias em estufas, as espécies recebem um hormônio enraizador – para acelerar o processo de metabolismo – antes de seguir para a embalagem cartonada. “Já fizemos algumas experiências e o resultado foi animador”, diz Majory Imai, filha de Takeshi e diretora da ModClima. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, Sabesp, gostou da ideia e vai financiar novos testes. As árvores-flechas serão lançadas neste mês em uma área de proteção de mananciais da empresa, localizada na cidade de Piracaia (SP), onde a ONG The Nature Conservancy já faz um trabalho de revegetação em larga escala. O esforço faz parte do projeto “Um Milhão de Árvores no Sistema Cantareira”, patrocinado pela estatal.

Infográfico_Alexandre Affonso
Água para lavouras
A Sabesp entrou para a história de Imai no biênio 2003/2004, período de escassez de chuvas no Sudeste, sobretudo em São Paulo. O engenheiro ficou sabendo – tarde demais – de uma concorrência para a produção de chuvas artificiais vencida por uma empresa que usava o processo químico. A grita dos ambientalistas foi tanta que a Sabesp cancelou o contrato. Era a deixa para Imai se apresentar, com seu método limpo e inédito. Desconfiada, a Sabesp pediu aos profissionais do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que conversassem com o nissei. Imai explicou o processo, convenceu os cientistas e os executivos e fez chover no Sistema Cantareira e no Alto Tietê. Dados da empresa mostram que a ModClima foi responsável por 31% das chuvas nos reservatórios da região entre outubro de 2003 e fevereiro de 2004. “Das 200 nuvens semeadas, 160 precipitaram”, diz Rodolfo Baroncelli, consultor da área ambiental da Sabesp.

A tabelinha entre a estatal e a ModClima prosseguiu nos anos seguintes, com uma chuvinha aqui, outra ali, até que a Sabesp pediu para Imai segurar um pouco a onda. São Pedro já estava fazendo sua parte, até demais. Imai pediu licença à sua parceira exclusiva e voou até o Nordeste em busca de clientes privados. Deparou-se com agricultores do oeste da Bahia e do Maranhão e com usineiros de Pernambuco, desesperados com a falta de água na região. De acordo com Jáson Torres, da Arrowplan, uma empresa que estimula a propriedade intelectual – fazendo a interface entre os cientistas e a iniciativa privada –, a atuação da ModClima na propriedade de dois usineiros pernambucanos no começo deste ano alcançou resultados fantásticos. “Dos nove voos que eles fizeram, oito provocaram chuvas”, afirma Torres. Ele conta que a ModClima mantém conversas adiantadas com a Secretaria de Recursos Hídricos de Pernambuco para um projeto que deve englobar os municípios que mais sofrem com os períodos de seca. Seria o primeiro contrato de alcance estadual da empresa de Imai.

Majory e Takeshi Imai sabem que há um potencial enorme pela frente. Ajudar no reflorestamento e fazer chuvas são atividades de grande relevância social, econômica e em sintonia com as políticas de sustentabilidade propostas pela Organização das Nações Unidas. No ano que vem, a ONU dará início à década de combate à desertificação. Dados atuais mostram que um terço do planeta é formado por terras secas (árida, semiárida ou semiúmida). “Existe uma tecnologia brasileira, limpa, já aplicável, e que funciona”, diz Majory. “Vamos levar essa proposta para a ONU e tentar conquistar o apoio da organização para o combate à seca.” Um encontro entre Majory e Luc Gnacadja, secretário executivo da UNCCD (sigla em inglês para a convenção de combate à desertificação da ONU), deverá acontecer ainda este mês na Alemanha.

Em 1971, Imai foi tratado como um herói, ao inventar um meio
de acabar com a ferrugem que atacou cafezais

Não chuva
Ao mesmo tempo em que buscam o apoio da ONU para os projetos de produção de chuva, os Imai estudam uma solução para outro problema climático: o excesso de chuva em algumas regiões. Se é possível produzi-las, por que não seria viável evitá-las? O desafio foi lançado por Majory e prontamente aceito pelo patriarca. “Meu pai estudou o assunto e veio com a solução”, diz ela. Softwares meteorológicos identificariam as formações e dariam a indicação necessária para que a empresa “antecipasse” a chuva – prevista para determinadas regiões – em áreas que pudessem minimizar os impactos de uma calamidade (oceanos, por exemplo). Igualmente possível é dissipar nuvens que pairam sobre áreas de risco, aplicando-lhes gelo seco. “Ele [o gelo] vai sublimar e abrir buracos nas nuvens, evitando a chuva.” O Inpe e o ITA trabalham em conjunto com a ModClima para tentar viabilizar a patente da “Não Chuva”. Segundo o professor Kleber Nacarato, do Inpe, o processo não causa danos ao clima, por ser pontual e restrito a uma pequena área.

Além de evitar a formação de tempestades que podem causar desastres e colocar cidades e população em situações de emergência, o projeto também visa a atender obras de infraestrutura a céu aberto, que necessitam de tempo firme para que possam ser concluídas. A Petrobras, preocupada com a construção de gasodutos, mostrou-se interessada no novo processo. As conversas entre as empresas estão na fase inicial.

Os Imai sonham com tempos melhores para a ModClima. E isto, segundo o patriarca, não significa a obtenção de lucros estratosféricos. “Não montei a empresa com o intuito de enriquecer. Sou um inventor e quero ver minhas criações sendo aplicadas na prática”, diz. Não foram poucas invenções. Em 1971, Takeshi Imai foi tratado como herói nacional quando sua empresa, a Hatsuta, inventou um pulverizador que combatia a ferrugem nos cafezais, um mal que ameaçava acabar com boa parte das plantações em São Paulo. Também se destacou ao apresentar para o mercado motosserras compactas e mais velozes que as convencionais. Tudo caminhava bem para Imai. Até que um jacarandá de 250 anos mudou a história do inventor. O episódio ocorreu em Linhares (ES), na década de 90. Imai levou duas dezenas de motosserras para serem testadas por potenciais clientes numa floresta da região. Queria provar que o equipamento era melhor do que o dos rivais. “Durante uma hora e meia vi minha máquina rasgando o tronco de um jacarandá de 250 anos. Ainda lembro do barulho ensurdecedor da árvore caindo e do silêncio profundo que se fez após o baque”, conta Imai. Pouco tempo depois, ele fechou as portas da empresa. “Decidi que minhas invenções deveriam servir à natureza.”

Foi então que começou a fazer chover. Mas só em dias de cumulus congestus.



Monday, October 5, 2015

Uma nova visão

Criado em um orfanato de São Paulo e adotado por uma família de Brasília, o paulistano Alex Sandro dos Santos, 34, fugiu aos 11 anos de volta para a capital paulista em busca dos parentes biológicos. Após duas passagens pela antiga Febem (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor, atual Fundação Casa), foi preso aos 18 anos por assalto à mão armada. Sua pena: uma década em que passou por seis cadeias diferentes.

"A única coisa que eu queria era mudar minha vida", conta Santos, sobre quando retornou à liberdade, em abril de 2014. Conheceu a Renovatio, uma Oscip (organização da sociedade civil de interesse público), e se integrou ao projeto Ver Bem, onde recebeu oportunidade de trabalho e de desenvolvimento educacional e cultural. Foi aí que sua vida começou a mudar.

A organização –formada por 35 voluntários, alunos de economia e administração do Insper (Instituto de Pesquisa e Ensino)– há pouco mais de um ano produz óculos de grau feitos com uma tecnologia de baixo custo. As peças são doadas para pacientes com receitas do SUS.

Para a produção, a Renovatio contrata pessoas em situação de vulnerabilidade social, como ex-presidiários, refugiados e moradores de comunidades. Eles também desenvolvem atividades educacionais, culturais e plano de carreira para os beneficiados.

"Isso [o projeto] é meu alicerce, que me dá oportunidade de me reerguer e mostrar que sou capaz e que posso ajudar alguém", afirma Santos, que produz 30 óculos por semana, atende os pacientes que chegam ao Instituto da Visão, recebe R$ 800 por mês e se prepara para realizar o sonho de cursar gastronomia.

Para fazer parte do projeto Ver Bem e ser beneficiado com a bolsa que varia de R$ 800 a R$ 1.400, é preciso obrigatoriamente estudar e fazer as atividades culturais propostas pelos membros da Renovatio, desenvolvidas por um professor de história. Cerca de 50% do valor da bolsa depende do desempenho nos estudos, atividades culturais e da meta de produção de óculos de cada um.

"O principal objetivo é que essas pessoas estudem, trabalhem as habilidades linguísticas, o pensamento crítico e a erudição para que, assim, consigam escolher um caminho para seguir na vida", explica Fábio Rodas Blanco, 22, presidente e cofundador da Renovatio.

No elo educacional, os beneficiados que não são plenamente alfabetizados passam por curso de letramento para depois seguirem os demais estudos. Eles devem se preparar para o vestibular ou carreira técnica. Testes vocacionais e entrevistas também são realizados para indicação de cursos específicos para a carreira almejada.

Idas a museus e cine debates, por exemplo, estão incluídas na parte cultural. Além disso, cada beneficiado tem a meta de produzir sete óculos por dia.

"Não queremos que a pessoa entre no projeto para ficar produzindo óculos para sempre, a permanência dela é de no máximo três anos. Queremos desenvolvê-la para que empreenda, consiga um emprego que pague mais que o projeto e que saia mais autônoma de que quando entrou", diz Blanco. Conforme um beneficiado deixa o projeto, abre vaga para o outro.

Desde fevereiro de 2014, a Renovatio é o braço no Brasil da ONG alemã One Dollar Glasses, criadora da técnica. Com a tecnologia, é possível fabricar óculos feitos de aço, plástico hipoalérgico e lentes de policarbonato por U$ 1 (cerca de R$ 3,60). No entanto, incluindo as taxas de impostos para importar o material e os custos com o beneficiado, cada um sai por R$ 25 para os brasileiros. Pessoas com diagnóstico de miopia, hipermetropia, presbiopia podem receber os óculos.

Para a distribuição em São Paulo, a Renovatio mantém uma parceria com a Escola Paulista de Medicina, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), com o Instituto da Visão e agora também com a Faculdade de Medicina do ABC, que divulgam o trabalho e indicam o posto de distribuição e fabricação, que fica no Instituto da Visão, aos pacientes.

http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2015/08/1672996-jovens-criam-fabrica-oculos-de-grau-e-doam-as-pecas-para-pacientes-do-sus.shtml

O homem que faz chover

O brasileiro Takeshi Imai inventou um método e fazer chover. Deu certo Sua tecnologia foi adotada pela Sabesp e recebeu prêmio na França.

'Era um jacarandá de 250 anos. Aquilo mexeu comigo. Desde então, decidi que minhas invenções serviriam à natureza, e não contra ela.'  A derrubada da árvore de lei com a potente motosserra que sua empresa fabricava, na década de 1970, fez com que o engenheiro mecânico Takeshi Imai mudasse completamente de vida. A partir de então, abandonou a produção de motosserras e pulverizadores de inseticidas e dedicou-se ao estudo dos fenômenos meteorológicos.  Após 20 anos de pesquisa, desenvolveu teorias que o levaram a ser premiado na França pela mais promissora de suas invenções: um método ecológico de produzir chuvas localizadas, ou seja, no local exato em que são necessárias. 'É uma tenologia nova, única no mundo', explicou Imai.

O processo é simples, limpo e não utiliza aditivos químicos p como o iodeto de prata, proibido nos Estados Unidos desde os anos 1980 por ter causado graves doenças pulmonares na Bacia do Potomac.  A bordo de um avião bimotor (foto na página ao lado, com um reservatório de 300 litros de água potável acoplado, a equipe de Takeshi entra na nuvem e despeja água pura.  As gotículas de água já existentes na nuvem unem-se às novas aplicadas pelo avião, formando gotas maiores, que, devido ao peso, precipitam a chuva em 15 a 20 minutos.  Imai garante que, para cada litro de água semeado, são produzidos cerca de 500 mil litros de água de chuva ou 50 caminhões-pipa.

A ModClima, empresa que Imai fundou para produzir as chuvas artificiais, possui uma base no aeroporto de Bragança, onde também fica um potente radar para detectar as nuvens que podem ser 'semeadas', o único desse modelo na América Latina.  A tecnologia é 100% brasileira e começou a ser desenvolvida em 2001. No ano seguinte, foi apresentada no 12º Congresso Brasileiro de Meteorologia, em Foz do Iguaçu (PR). Em 2005, ganhou a Medalha de Ouro da Ciência da Água no 7º Simpósio Internacional da Água, em Cannes, na França.

A parceria com a Sabesp (Companhia de Abastecimento e Saneamento Básico do Estado de São Paulo) vem desde 2003, quando a ModClima ajudou a evitar o racionamento de água devido à escassez de chuvas nas regiões de mananciais. Segundo a Sabesp, Imai foi responsável por 31% das chuvas na Bacia do Sistema Cantareira, área de 3 mil quilômetros quadrados que vai de Camanducaia a Bragança Paulista e abastece 9 milhões de pessoas.  Das 200 nuvens semeadas, 160 precipitaram, contribuindo significativamente para encher os reservatórios de São Paulo.

Aos 67 anos, Takeshi Imai continua a estudar para aprimorar sua invenção e para encontrar novas formas de ajudar a natureza. Um de seus projetos é o reflorestamento aéreo com as 'árvores-flechas' - para ser lançadas de avião -, por meio do qual é possível plantar 50 mil mudas por hora.  'Onde não há vegetação, não há nuvens, e sem nuvens é impossível fazer chover, afirma Imai. 

'Minha preocupação não é ganhar dinheiro, mas achar soluções urgentes para deter a degradação do planeta e o acelerado processo de aquecimento global', diz Imai. 'As mudanças climáticas são muito mais sérias do que dizem.'  
Revista Welcome on Board, dez/2008 / jan/2009, págs. 58, 59)

Tuesday, September 29, 2015

O que você quer ser?

Tive um daqueles momentos felizes e inesperados há algumas semanas. Estava no quarto trocando a fralda de um dos bebês quando nossa filha de cinco anos entrou e pulou na cama ao meu lado.

– Mamãe, o que você quer ser quando crescer? perguntou.

– Huum, acho que gostaria de ser mãe quando crescer.

– Você não pode ser isso porque você já é mãe. O que você quer ser quando crescer?

– Está bem, talvez eu seja pastor de igreja quando crescer. - respondi a segunda vez.

– Mamãe, não, você já é isso!

- Desculpe-me, querida, mas não estou entendendo o que eu devo dizer.

- Mamãe, só responda o que você quer ser quando crescer. Você pode ser qualquer coisa que quiser!

Esta experiência - esta minúscula experiência de cinco minutos - tocou fundo dentro de mim. Fiquei emocionada porque, aos olhos jovens de minha filha, eu ainda podia ser qualquer coisa que quisesse ser! Minha idade, minha carreira atual, meus cinco filhos, meu marido, meu diploma, meu mestrado - nada disso tinha importância. Aos seus olhos jovens eu ainda podia ser astronauta, pianista ou até mesmo cantora de ópera, talvez. Sob seu olhar jovem eu ainda tinha que crescer mais e tinha muito “ser” sobrando em minha vida.

A verdadeira beleza daquele encontro com minha filha foi quando percebi que, com toda sua ho

Então, o que você quer ser quando crescer?

(Rev. Teri Johnson – Do livro: Histórias para aquecer o coração, de Canfield & Hansen)

Problema ou solução

Era 1933. Eu havia sido demitido do meu emprego de meio expediente e não podia mais contribuir para a despesa familiar. Nossa única renda era o que mamãe conseguia ganhar fazendo roupas para os outros.

Então, mamãe ficou doente durante algumas semanas e incapaz de trabalhar. A companhia elétrica veio e cortou a força quando não conseguimos pagar a conta. Depois, foi a companhia de água. Mas o departamento de saúde os fez religar a água por motivos sanitários. A despensa ficou quase vazia. Felizmente, tínhamos uma pequena horta e podíamos cozinhar os legumes numa fogueira no quintal.

Um dia, minha irmã mais nova veio saltitante da escola para casa dizendo:

- Amanhã temos que levar para a escola alguma coisa para dar aos pobres.

Mamãe começou a esbravejar, dizendo:

- Não conheço ninguém mais pobre do que nós!

Mas a mãe dela, que estava morando conosco na época, a fez calar, franzindo as sobrancelhas e tocando-lhe o braço:

- Eva – disse -, se você passar para uma criança a ideia de que ela é “pobre” com essa idade, ela será “pobre” para o resto da vida. Sobrou um pote daquela geleia caseira. Ela pode levar aquilo.

Vovô achou um pedaço de papel de seda e um pedacinho de fita cor-de-rosa com os quais embrulhou nosso último pote de geleia. Minha irmã foi saltitando para a escola, no dia seguinte, levando orgulhosamente seu “presente para os pobres”.

E, para sempre depois disso, se havia um problema na comunidade, minha irmã naturalmente presumia que ela deveria ser parte da solução.

(Edgar Bledsoe)

Monday, September 28, 2015

Boas maneiras

A cansada ex-professora se aproximou do balcão do supermercado. Sua perna esquerda doía e ela esperava ter tomado todos os comprimidos do dia: para pressão alta, tonteira e um grande número de outras enfermidades.

"Graças a Deus eu me aposentei há vários anos" – ela pensou. "Não tenho energia para ensinar hoje em dia".

Imediatamente antes de se formar a fila para o balcão, ela viu um rapaz com quatro crianças e uma esposa, ou namorada, grávida. A professora não pode deixar de notar a tatuagem em seu pescoço.

"Ele esteve preso" – pensou.

Continuou a observá-lo. Sua camiseta branca, cabelo raspado e calças largas levaram-na a conjecturar:

"Ele é membro de alguma gangue".

A professora tentou deixar o homem passar na sua frente.

- Você pode ir primeiro – ofereceu.

- Não, a senhora primeiro – ele insistiu.

- Não, você está com mais gente – disse a professora.

- Devemos respeitar os mais velhos – defendeu-se o homem.

E, com isto, fez um gesto largo indicando o caminho para a mulher.

Um breve sorriso surgiu em seus lábios enquanto ela mancou na frente dele. A professora que existia dentro dela não pode desperdiçar o momento e, virando-se para ele , perguntou:

- Quem lhe ensinou boas maneiras?

- A senhora, Sra. Simpson, na terceira série.

Paul Karrer
Histórias para Aquecer o Coração
Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Heather McNamara - Editora Sextante

Os gravetos

Os gravetos
Um homem tinha muitos filhos que viviam brigando. Não havia meio de conseguir harmonia na família. Um dia, ele pegou um feixe de gravetos e pediu que cada um quebrasse com o joelho. Todos tentaram e não conseguiram. Ele então desfez o feixe e deu os gravetos um por um. Ninguém teve dificuldade em quebrar todos os gravetos.
-Olhem só: se vocês se unirem não há inimigo que os possa vencer. Brigando sempre e ficando separados, só podem perder.
A união faz a força.

(LRM)  

Da infância humilde para o Supremo

Nascido em Paracatu, MG, Joaquim Barbosa, filho de pedreiro e dona de casa, teve uma infância pobre. As dificuldades que enfrentou só serviram para impulsionar sua vontade de estudar. Com a ajuda de parentes, se mudou para Brasília para estudar em uma escola pública.

Para se manter, trabalhou como faxineiro e na gráfica do Senado. O curso de Direito na Universidade de Brasília foi o início de uma carreira acadêmica intensa. Joaquim Barbosa fala quatro idiomas e é mestre e doutor em direito público pela Universidade de Paris.

Foi indicado para o Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Lula, em 2003, tendo sido o primeiro negro a assumir a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal). Atuou no Supremo durante onze anos, onde foi figura central do julgamento do mensalão, o mais rumoroso da história do STF.



Em 2013 foi eleito pela Revista Time como uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Foi incluído também em uma lista de 10 brasileiros que foram notícia no mundo em 2013, elaborada pela BBC Brasil.

A nota de vinte dólares

Um  conhecido professor começou sua palestra segurando uma nota de vinte dólares numa sala com duzentas pessoas. Ele perguntou: “Quem gostaria de ganhar esta nota de vinte dólares?”  Mãos começaram a se levantar.

O professor disse: “Eu vou dar a esta nota de vinte dólares a um de vocês, mas em primeiro lugar, deixe-me fazer isso. “Ele começou a amassar o papel. Ele perguntou: “Quem ainda a quer?” Ainda muitas mãos se levantaram.

“Bem, se eu fizer isso?” Ele jogou a nota no chão e começou a pisá-la com seu sapato. Ele pegou-a, agora amassada e suja e perguntou: “Quem ainda quer?” Ainda assim as mãos se levantaram no ar.

Nesse dia todos aprenderam uma lição muito valiosa. Não importa o que foi feito com a nota, ela ainda era desejada por muitos, porque não houve redução no valor. Ela ainda vale vinte dólares.

Muitas vezes em nossas vidas, somos ignorados, amassados e moídos na sujeira, que são as decisões que tomamos e as circunstâncias que vêm em nosso caminho. Nós podemos nos sentir como se estivéssemos sem valor e inúteis.


Mas não importa o que aconteceu ou vai acontecer, você nunca perderá o seu valor: sujo ou limpo,  totalmente amassado ou levemente enrugado, você ainda é inestimável para aqueles que respeitam, consideram e amam você.

A última corda do violino

O lendário violinista Paganini era considerado por alguns como muito estranho. Outros diziam que era sobrenatural. As notas mágicas que saíam de seu violino tinham um som diferente, por isso ninguém queria perder a oportunidade de ver seu espetáculo.

Certa noite o palco de um auditório repleto de admiradores estava preparado para recebê-lo. A orquestra entrou e foi aplaudida. O maestro foi ovacionado. Mas quando a figura de Paganini surgiu, triunfante, o público delirou. Paganini coloca seu violino no ombro e o que se assiste a seguir é indescritível. Breves e semibreves, fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias parecem ter asas e voar com o toque daqueles dedos encantados.

De repente, um som estranho interrompe o devaneio da plateia. Uma das cordas do violino de Paganini arrebenta. O maestro parou. A orquestra parou. O público parou.

Mas Paganini não parou.

Olhando para sua partitura, ele continua a tirar sons deliciosos de um violino com problemas. O maestro e a orquestra, empolgados, voltam a tocar. Mal o público se acalmou quando, de repente, um outro som perturbador derruba a atenção dos assistentes. Uma outra corda do violino de Paganini se rompe. O maestro parou de novo. A orquestra parou de novo.

Paganini não parou.

Como se nada tivesse acontecido, ele esqueceu as dificuldades e avançou, tirando sons do impossível. O maestro e a orquestra, impressionados voltam a tocar. Mas o público não poderia imaginar o que iria acontecer a seguir. Todas as pessoas, pasmas, se sobressaltaram quando a terceira e penúltima corda do violino de Paganini se quebra. O maestro pára. A orquestra pára. A respiração do público pára.

Mas Paganini não pára.

Como se fosse um contorcionista musical, ele tira todos os sons da única corda que sobrara daquele violino destruído. Nenhuma nota foi esquecida. O maestro empolgado se anima. A orquestra se motiva. O público parte do silêncio para a euforia, da inércia para o delírio.

Paganini atinge a glória.


Seu nome e sua fama atravessam o tempo. Não apenas como um violinista genial, mas como símbolo do profissional que continua, mesmo diante do aparentemente impossível.

O cavalo no poço

Um fazendeiro, que lutava com muitas dificuldades, possuía alguns cavalos para ajudar nos trabalhos em sua pequena fazenda. Um dia, seu capataz veio trazer a notícia de que um dos cavalos havia caído num velho poço abandonado.

O fazendeiro foi rapidamente ao local do acidente e avaliou a situação. Certificando-se de que o animal não se machucara, mas, pela dificuldade e o alto custo de retirá-lo do fundo do poço, achou que não valeria a pena investir numa operação de resgate.

Tomou então a difícil decisão: determinou ao capataz que sacrificasse o animal, jogando terra no poço até enterrá-lo, ali mesmo.

E assim foi feito: os empregados, comandados pelo capataz, começaram a jogar terra para dentro do buraco de forma a cobrir o cavalo.

Mas, à medida que a terra caía em seu dorso, o animal a sacudia e ela ia se acumulando no fundo, possibilitando ao cavalo ir subindo. Logo, os homens perceberam que o cavalo não se deixava enterrar, mas, ao contrário, estava subindo à medida que a terra enchia o poço, até que finalmente, conseguiu sair.

Sabendo do caso, o fazendeiro ficou muito satisfeito e o cavalo viveu ainda muitos anos servindo ao dono da fazenda.


Mora da história: se você estiver “lá embaixo”, sentindo-se pouco valorizado, quando, já certos de seu desaparecimento, os outros jogarem sobre você terra da incompreensão, da falta de oportunidades e de apoio, lembre-se desse cavalo. Não aceite a terra que cai sobre você. Sacuda-a e suba sobre ela. E, quanto mais terra, mais você vai subindo…subindo…subindo, e aprendendo a sair do poço.

O menino e a tábua

Um menino tinha o grande defeito, nos tranquilos dias da infância, de desanimar com demasiada facilidade quando uma tarefa qualquer lhe parecia difícil.

Uma noite seu pai lhe entregou uma tabuazinha de pequena espessura e um canivete, e lhe pediu que, com este canivete, riscasse uma linha a toda largura da tábua. O garoto obedeceu suas instruções, e, em seguida, tábua e canivete foram trancados na escrivaninha de seu pai.

A mesma coisa foi repetida todas as noites seguintes; ao fim de uma semana o menino não aguentava mais de curiosidade.

A história continuava. Toda noite ele tinha que riscar com o canivete, uma vez, pelo sulco que se aprofundava.

Chegou afinal um dia em que não havia mais mais sulco. Com um último e leve esforço o garoto a tábua em duas. Seu pai  então disse:

"– Você nunca acreditaria que isto fosse possível, com tão pouco esforço, não é verdade? Pois o êxito ou fracasso de sua vida não depende tanto de quanta força você põe numa tentativa, mas da persistência no que faz."

Desorganização leva a erro fatal

Uma paciente morreu em 2004, num hospital no estado da Virginia, nos Estados Unidos, depois de nela ter sido injetada uma solução antisséptica em vez de um corante de contraste. Durante o procedimento, havia três líquidos transparentes que foram mantidos em tigelas de aço inoxidável em uma bandeja: o antisséptico, o corante e uma solução alcalina.

Com boa vontade e antecipando a necessidade do cirurgião, um técnico experiente pré-rotulou uma seringa vazia como “corante de contraste”. Em seguida, contudo, ele supostamente encheu essa seringa com o antisséptico em vez do corante.

Alguns meses antes daquele dia fatídico, o hospital havia decidido substituir uma solução de iodo marrom pelo antisséptico claro. O técnico sabia da mudança e inclusive havia mencionado esse ambiente que poderia provocar um erro ao seu supervisor dois meses antes do incidente. O técnico sabia, o supervisor sabia – mesmo assim, a situação de risco persistiu.

Depois de uma carreira de 34 anos sem falhas, 17 deles no hospital em Virginia, o técnico foi multado pelo estado, declarou-se responsável e se demitiu do hospital, embora alegasse não ter certeza sobre quem realmente havia enchido a seringa – ele ou o médico.

Depois da morte da paciente, o antisséptico foi substituído por um gel em cotonete, eliminando assim o risco para futuros pacientes de alguém confundir clorexidina com corante. 

Professor Ferreirinha

Jaguarari é um município do sertão baiano, distante de Salvador 411 quilômetros, localizado entre as montanhas da Chapada Norte, com população aproximada de 30 mil habitantes.

Distante da sede do município, 40 quilômetros mais sertão ainda, um povoado denominado Flamengo esconde uma história de ensinamento de vida. Lá está o Professor Ferreirinha. Estudou para lecionar no primário, migrando da área para preencher vazio na educação física do município.

Atendendo um pedido de sua filha que desejava ser atleta, criou uma escola hoje já com 75 alunos. Ao início corria com sua filha pelas ruas esburacadas todos os dias e as crianças começaram a acompanha-lo, quando ele olhou para trás em um determinado dia, viu que 50 crianças o seguiam.

Neste cenário o Professor Ferreirinha tenta mudar a realidade das crianças, através do centro de atletismo que montou, com aparelho de salto feito com pneus e colchões usados. Garrafas pets, tubos de PVC, madeiras, elásticos, têm funções para os treinamentos das crianças, algumas sem tênis, correndo em piso de pedras, gravetos e estercos.

Foi encontrado, descoberto e mostrado ao Brasil, pelo apresentador Luciano Huck. A comunidade foi mobilizada pelo Caldeirão do Huck e em mutirão contribuiu. No prazo de 10 dias nasceu um novo centro de atletismo com salas e equipamentos novos e modernos, aparelhos de ginástica, bicicletas, uma moto, poço artesiano, dependências necessárias para acolhimento confortável e um cheque de 10 mil reais para a manutenção. 

Combate ao ebola

Um fato gritante da mais recente publicação sobre o surto de Ebola é que cinco dos muitos autores do estudo estão mortos, vitimados pela doença que grassa na África ocidental. A nova análise, divulgada em 2014 numa famosa revista científica, revela que a atual epidemia resultou de transmissão entre seres humanos. 

O estudo fornece fortes evidências de que, uma vez que o vírus foi introduzido na população humana, a transmissão posterior foi de humano para humano, e não através de reiteradas introduções a partir da natureza.

Na epidemia mais recente as autoridades destacaram que a exposição a reservatórios animais sempre será uma preocupação, assim como uma educação adequada sobre como lidar corretamente com carne de caça e ficar longe da carne de animais já mortos.

Porém os dados mostram que a transmissão de humano para humano é o fator responsável por essa epidemia.

Isso significa que a resposta dos profissionais de saúde pública a esse surto, que se concentra no rastreamento e tratamento de pessoas expostas a pacientes infectados, em vez de tentar manter humanos longe de potenciais transmissores animais, foi a estratégia correta.


Gatos de pára-quedas

Na década de 1950 a ilha de Bornéu sofreu uma epidemia de malária. A Organização Mundial da Saúde encontrou uma solução: jogar grandes quantidades de pesticida sobre a ilha para matar os mosquitos que transmitiam a doença. Os mosquitos de fato diminuíram, e a malária foi controlada. Até aqui tudo bem.

Mas alguns efeitos colaterais inesperados surgiram. Primeiro o tetos das casas começaram a cair sobre a cabeça dos seus moradores pois o pesticida também matou as vespas que comiam lagartas comedoras de cisal, material de que era feito o teto das casas. Pior que isso, as vespas infectadas de pesticida viraram comida de gato, matando-os também!

Com a morte dos gatos, a população de ratos na ilha aumentou assustadoramente e com essa infestação duas novas epidemias atacaram a ilha: peste negra e tifo. Dessa maneira, a OMS resolveu o problema da epidemia de malária mas como resultado gerou outras duas epidemias.

Para reparar a  besteira que fez, a OMS chegou à conclusão que a melhor solução seria lançar de pára-quedas 14.000 gatos para conter a população de ratos e consequentemente, as novas epidemias.


O registro histórico da operação está documentado pela universidade de Harvard e é denominado “Entendendo o Equilíbrio e Fluxo de Ecosistemas”. Um bom exemplo de como atuar sem a visão do todo pode levar a grandes equívocos.

Presença de espírito

Um descuido e a estudante Brunella Comineli, de 9 anos, teve o cabelo preso no bocal de aspiração de uma piscina de um condomínio de Itaparica, em Vila Velha. Brunella estava na piscina com outras amigas da escola, na comemoração de aniversário de uma delas, na cobertura do prédio.

A menina mergulhou e logo que o cabelo ficou preso pegou na perna de outra criança e assim pediu ajuda. Quando os adultos foram avisados, dois deles mergulharam na piscina para tentar soltar Brunella. Eles não conseguiram retirar o cabelo daquela sucção. Resolveram, rapidamente, cortá-lo, com uma faca de churrasco.

Os segundos embaixo d’água pareceram minutos para quem tentava soltá-la da sucção. Após ter seus cabelos cortados, a menina passou por massagem cardíaca para ressuscitação e chegou a ficar dois dias em coma induzido, além de cumprir 11 dias de internação no hospital. Felizmente, sobreviveu sem sequelas.

O pai da menina declarou:

“A minha filha foi salva por uma ação rápida. Agradeço a esse homem que conseguiu salvar a vida da minha filha a tempo. Graças a ele, Brunella está viva, ao lado de nossa família.”

A pedra fundamental

Mais uma vez a presidente que comanda a rede brasileira Blue Tree Hotels, a executiva Chieko Aoki conquista mais um título, agora pela revista americana Forbes que a elegeu como a segunda mulher de negócios mais poderosa do Brasil. Chieko é referência de administração e marketing de uma das redes de hotéis e resorts mais respeitadas no Brasil e no exterior. Sob o seu comando são 27 entre hotéis e resorts.

Seu movimento pessoal, regido por princípios claros e bem definidos, criou à sua volta uma aura magnética, quase irresistível. Suas respostas são naturalmente carregadas com o testemunho de quem chegou no sucesso e quer compartilhar o caminho com os outros. Um exemplo de vida, para quem está com a mente aberta.

O dia de Chieko Aoki começa às 6h, com a prática de atividades físicas, e termina depois que tiver respondido o último e-mail. E por que isso? A executiva responde:“Eu tenho que dar o exemplo. Eu peço para as minhas equipes responderem seus e-mails no mesmo dia. É uma questão de consideração e respeito com quem enviou aquele e-mail. E eu tenho que estar dentro das regras, para dar o exemplo, ainda que isso signifique ficar no computador até meia-noite, uma hora da manhã.”

Os empreendimentos de Chieko Aoki têm todos a mesma crença: encantar a todos, fazendo as pessoas se sentirem mais felizes. E a base que sustenta este encantamento é o respeito. Segundo Chieko:


“O respeito é a base de tudo. O seu limite é o limite do outro. Um exemplo simples de respeito são os prazos. Prazo é prazo. Você deu um prazo para o parceiro ou cliente? Tem que cumprir.”

Uma mulher de ação

A educadora Yvonne Bezerra de Mello é uma das maiores ativistas sociais do Brasil. A experiência de ajudar as crianças vítimas da Chacina da Candelária, em 1993, mudou sua vida. Foi a partir dessa tragédia que ela descobriu que precisava fazer mais pelos meninos e meninas de rua. Veja alguns pensamentos dela:

“Desde muito pequena, minha mãe me ensinou que o pensamento positivo sobre todas as coisas que acontecem na vida é a chave para o equilíbrio e o sucesso. A palavra “NÃO” inexistia em nossa casa e toda vez que havia resistência ou limites, eles me eram explicados para que eu entendesse a situação. Esse entendimento de que não existem problemas, mas soluções, norteou minha infância, adolescência e ainda hoje me influencia.”

“Os anos de universidade e pesquisa me ensinaram que aquele que cede nas suas ideias é um sério candidato à mediocridade. Passei a perseguir cada vez mais o objetivo: evitar que milhões de crianças se tornassem subempregados, trabalhadores infantis e que nunca tivessem um lugar de destaque nas sociedades de diversos países.


Mas de nada servem os estudos e pesquisas se não passarmos à ação. É a ação que move montanhas e que leva o homem a criar, construir e melhorar sua existência e a dos outros. Depois da chacina da Candelária, abri a primeira sala de aula do Projeto Uerê, uma escola alternativa, debaixo de um viaduto, para 150 crianças e jovens. Foi quando entendi que para fazer o bem não é necessário, num primeiro momento, ter fundos. A vontade ultrapassa todo o dinheiro do mundo. É preciso fazer, deixar seus impulsos se tornarem realidade. Descobri que nada é impossível quando realmente se quer alguma coisa.”

O teste da carteira

Em 2013 a equipe da revista Seleções fez uma pesquisa a fim de descobrir a quantas anda a honestidade no Brasil. Para isso, realizaram um teste em seis cidades brasileiras – entre pequenas, médias e grandes. Eles simularam a “perda” de 72 carteiras em ruas, praças, praias, shopping centers, farmácias, feiras de livros, museus e outros pontos públicos. Cada carteira continha 100 reais em dinheiro (uma cédula de 50, duas de 20 e uma de 10), notas fiscais de supermercados, restaurantes, livrarias etc., um bilhete de metrô, uma foto de criança, cartões de lojas, além de um cartão de visita do suposto dono, com o número de um telefone fixo e um celular, mas nenhum documento.

Das 72 carteiras utilizadas na pesquisa, 39 foram devolvidas (54%). Esse teste da vida real deixou claro o seguinte: princípios morais são adquiridos por meio dos exemplos dados pela família. A maioria dos que devolveram as carteiras com o dinheiro revelou que o desejo de fazer o certo foi instilado pela família, principalmente pelos pais.

“O primeiro passo para a honestidade vem dos pais. Depois, da escola”, disse o advogado Augusto Cherfan Junior, de Belém, que estava acompanhado da amiga Tatiana quando encontrou uma das carteiras e procurou um segurança para entregá-la. Para esses, a situação nem sequer consistiu em um dilema moral. Não havia outra hipótese, senão devolver a carteira, fosse porque seu conteúdo poderia fazer falta ao dono ou simplesmente porque não lhe pertencia.


Os que devolveram as carteiras eram jovens, idosos, ricos, pobres, homens, mulheres, moradores de cidades grandes, médias ou pequenas. Não existem verdades absolutas nem um perfil que aponte para a honestidade e a ética, mas é inspirador ver que, como um todo, somos um povo honesto.

O construtor de pontes

Mudar vidas construindo pontes é o que Toni Ruttimann tem feito nos últimos 27 anos. Inspirado por relatos dos estragos causados por um terremoto no Equador em 1987, ele jurou “fazer alguma coisa”. Depois de recolher doações em sua cidade natal na Suíça, foi para o Equador em busca de uma forma de ajudar. Na época com 20 anos, descobriu aldeões que haviam ficado isolados depois de perderem sua ponte. Esticando ao máximo a pequena quantia que trouxera da Suíça e com a ajuda de um engenheiro holandês, construiu com os aldeões sua primeira ponte em cinco meses. Encontrara o trabalho de sua vida.

Numa jornada de um homem só para “servir as pessoas pelo mundo”, ele dedica sua vida a construir pontes para pedestres em países desde Honduras até Camboja e Indonésia. Desde que iniciou sua forma única de ajuda humanitária, ele e uma equipe de soldadores dedicados ergueram mais de 660 pontes para pedestres, de 30 a 264 metros de comprimento, para atender 2 milhões de pessoas.

Algumas das pontes que Ruttimann constrói substituem as que foram destruídas ou se deterioraram, mas a maioria se encontra em locais onde nunca houve uma antes. “Buscamos nós mesmos os locais ou os aldeões vêm nos pedir a ponte”, diz ele.

Ruttimann exerce suas atividades de maneira discreta. Aceita apenas pequenas doações de pessoas físicas, a maioria de seu país de origem. Estabeleceu uma relação duradoura com a siderúrgica Tenaris, que contribuiu com tubos de aço suficientes para construir cerca de cem pontes, e com operadores de teleféricos, que doaram impressionantes 370 km de cabos provenientes de estações suíças de esqui. Os aldeões fornecem a mão de obra e compram o cimento (de 200 a 500 sacos), a areia e o cascalho necessários para as fundações da ponte.

Nenhum dos doadores de Ruttimann pede reconhecimento em troca dos materiais. “Eles concordam comigo que estamos fazendo isso pelas pessoas”, diz Toni.

Apesar de sua reputação ter se alastrado por toda a Ásia e outros lugares, muitas vezes Toni leva algum tempo para explicar sua filosofia. Por exemplo, depois de contar a um ministro de Mianmar sobre como constrói pontes de graça desde os 19 anos e dizer que queria continuar no país, o ministro perguntou:
– De graça? Diga a verdade. Por que faz isso?
– Vejo o sofrimento das pessoas que precisam de uma ponte e sei como ajudá-las – explicou. – E nasci para ser um construtor de pontes. Por último, é porque quero muito fazer isso.


Ruttimann não só conseguiu permissão para trabalhar em Mianmar como o governo o ajudou com as licenças para a importação de canos e cabos, e forneceu locais para reunir e armazenar materiais.

Um talento oculto

Nathaniel Ayers é um músico norte-americano que começou a tocar violoncelo durante o ensino médio. Mais tarde frequentou a melhor escola de música de Nova York, sendo um dos poucos alunos dessa escola com bolsa de estudos como violoncelista. Nesse período sofreu um colapso mental, sendo internado em um hospital psiquiátrico, onde recebeu tratamento de eletrochoque.

Após a morte de sua mãe em 2000, ele se mudou para Los Angeles, Califórnia, pensando que seu pai morava lá. Sem-teto e esquizofrênico, Ayers passou a viver nas ruas de Los Angeles, ganhando a vida tocando instrumentos (como o violino e violoncelo) nas esquinas da cidade.

Vivendo nas ruas, ele foi descoberto pelo jornalista Steve Lopez, que contou sua história primeiro em colunas no maior jornal de Los Angeles e depois em um livro biográfico. Graças às colunas de Steve Lopez, Nathaniel conseguiu novas oportunidades: ganhou um violoncelo, um apartamento para morar, teve oportunidade de voltar a tocar para o público e voltou a ter contato com sua irmã, último parente ainda vivo, que passou a ser sua tutora.


Uma fundação foi criada por essa irmã em 2008 com o objetivo de apoiar as pessoas acometidas de sofrimento psíquico e dotadas artisticamente. A história de Nathaniel percorreu o mundo contada no filme “O Solista”, de 2009.

Sunday, September 27, 2015

Rosa Parks
Em 1955, Rosa Louise McCauley, uma costureira negra do Alabama, pegou um ônibus e, por estar muito cansada, optou por não ficar de pé na área reservada para os negros, na parte de trás do automóvel. Sentou-se em um banco e, diante da indignação dos presentes brancos, recusou-se a se levantar para ceder o lugar a um deles. A atitude de Rosa Parks foi o estopim do Boicote aos Ônibus de Montgomery, que teve o apoio do pastor Martin Luther King, e é considerada até hoje um momento histórico da luta pelos direitos civis nos EUA.
Fonte: Catraca Livre
A Assembleia dos Ratos
Era uma vez uma colônia de ratos, que viviam com medo de um gato, resolveram fazer uma assembleia para encontrar um jeito de acabar com aquele transtorno. Muitos planos foram discutidos e abandonados. No fim um jovem e esperto rato levantou-se e deu uma excelente ideia; a de pendurar uma sineta no pescoço do gato. Assim, sempre que o gato tivesse por perto eles ouviriam a sineta e poderiam fugir correndo. Todos os ratos bateram palmas: o problema estava resolvido. Vendo aquilo, um velho rato que tinha ficado o tempo todo calado levantou-se de seu canto. O velho rato falou que o plano era muito inteligente e ousado, que com toda a certeza as preocupações deles tinham chegado ao fim. Só faltava uma coisa: quem ia pendurar a sineta no pescoço do gato?

Moral da história:
Falar é fácil, fazer é que é difícil.
Fábula: O Leão e o Rato

Certo dia, estava um Leão a dormir a sesta quando um ratinho começou a correr por cima dele. O Leão acordou, pôs-lhe a pata em cima, abriu a bocarra e preparou-se para o engolir.
- Perdoa-me! - gritou o ratinho - Perdoa-me desta vez e eu nunca o esquecerei. Quem sabe se um dia não precisarás de mim?
O Leão ficou tão divertido com esta ideia que levantou a pata e o deixou partir.
Dias depois o Leão caiu numa armadilha. Como os caçadores o queriam oferecer vivo ao Rei, amarraram-no a uma árvore e partiram à procura de um meio para o transportarem.
Nisto, apareceu o ratinho. Vendo a triste situação em que o Leão se encontrava, roeu as cordas que o prendiam.
E foi assim que um ratinho pequenino salvou o Rei dos Animais.

Moral da história: Não devemos subestimar os outros.

Sentados à beira do rio, dois pescadores seguram suas varas à espera de um peixe. De repente, gritos de crianças trincam o silêncio.
Ambos se assustam, olham em frente, olham para trás.
Os gritos continuam e nada. Veem então que a correnteza trazia duas crianças, pedindo socorro. Os pescadores pulam na água. Só conseguem salvá-las à custa de grande esforço. Mais berros quando estão prestes a sair do rio. Notam quatro crianças debatendo-se, tentando salvar suas vidas. Só conseguem resgatar duas e sentem, além do cansaço, a frustração pela perda.
Não refeitos, ofegantes, exaustos, escutam uma gritaria ainda muito maior. Desta vez, oito pequenos seres vêm sendo trazidos pela correnteza. Um pula na água, o outro vira-se rumo à estrada que acompanha a subida do rio.
O amigo que pulou na água grita:
- Você enlouqueceu, não vai me ajudar?
Sem parar o passo, o outro respondeu:
- Tente fazer o que puder. Vou verificar por que as crianças estão caindo no rio.

Combater o efeito é ser eficiente, mas combater a causa é ser eficaz.
A rebelião contra o estomago
Variações desta história existem desde a antiguidade clássica. Paulo emprega uma delas em Coríntios I 12:14-16
Uma vez um homem sonhou que suas mãos, pés, boca e cérebro começaram todos a se rebelar contra estômago.
- Sua lesma imprestável! - as mãos disseram - Nós trabalhamos o dia inteiro, serrando, martelando, levantando e carregando. De noite estamos cobertas de bolhas e arranhões, nossas juntas doem e ficamos cheias de sujeira. Enquanto isso, você só fica aí sentado, pegando a comida toda!
- Nós concordamos! - gritaram os pés - Pense só como nos desgastamos, andando para lá e para cá o dia inteiro. E só fica se entupindo, seu porco ganancioso, cada vez mais pesado para a gente carregar.
- Isso mesmo! - choramingou a boca - De onde você pensa que vem toda a comida que você tanto ama? Eu é que tenho que mastigar tudo; e logo que termino, você suga tudo aí para baixo, só para você. Você acha que isso é justo?
- E eu? - gritou o cérebro - Você acha que é fácil ficar aqui em cima, tendo que pensar de onde vai vir a sua próxima refeição? E ainda por cima, não ganho nada pelas minhas dores todas.
Uma por uma, as partes do corpo aderiram às reclamações contra o estômago, que não disse coisa alguma.
- Tenho uma ideia - o cérebro finalmente anunciou. - Vamos todos nos rebelar contra essa barriga preguiçosa e parar de trabalhar para ela.
- Soberba ideia! - todos os outros membros e órgãos concordam - Vamos lhe ensinar como nós somos importantes, seu porco. Assim, talvez você também acabe fazendo algum trabalho.
E todos pararam de trabalhar. As mãos se recusaram a levantar ou carregar coisas. Os pés se recusaram a andar. A boca prometeu não mastigar nem engolir nem um bocadinho. E o cérebro jurou que não teria mais nenhuma idéia brilhante. No começo, o estômago roncou um pouco, como sempre fazia quando estava com fome. Mas depois ficou quieto.
Nesse ponto, para surpresa do homem que sonhava, ele descobriu que não conseguia andar. Não conseguia segurar nada nas mãos. Não conseguia nem abrir a boca. E de repente, começou a se sentir bem doente.
O sonho pareceu durar vários dias. A cada dia que passava, o homem se sentia cada vez pior.
- É melhor que essa rebelião não dure muito - ele pensou - senão vou morrer de inanição.
Enquanto isso, mãos, pés, boca e cérebro só ficavam à toa, cada vez mais fracos. No início, se agitavam só um pouquinho, para escarnecer do estômago de vez em quando; mas pouco depois não tinham mais energia nem para isso.
Por fim, o homem ouviu uma vozinha fraca vinda da direção dos pés.
- Pode ser que estivéssemos enganados - eles diziam. - Talvez o estômago estivesse trabalhando o tempo todo, ao jeito dele.
- Estava pensando a mesma coisa - murmurou o cérebro. - É verdade que ele fica pegando a comida toda. Mas parece que ele manda a maior parte de volta para nós.
- Devemos admitir nosso erro - disse aboca. - O estômago tem tanto trabalho a fazer quanto as mãos, os pés, o cérebro e os dentes.
- Então, vamos todos voltar ao trabalho - gritaram juntos. E, nisso, o homem acordou.
Para seu alívio, descobriu que os pés estavam andando de novo. As mãos seguravam, a boca mastigava e o cérebro agora conseguia pensar com clareza. Começou a se sentir muito melhor.

- Bem, eis aí uma lição para mim - ele pensou, enquanto enchia o estômago de café e pão com manteiga, de manhã. - Ou funcionamos todos juntos, ou nada funciona mesmo.