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Tuesday, October 27, 2015

Mãos talentosas

Benjamin Solomon Carson é um médico neurocirurgião pediátrico, psicólogo, escritor, professor e filantropo estadunidense. Carson entrou para a história da medicina no ano de 1987 ao separar gêmeos siameses unidos pela cabeça – um procedimento que levou cinco meses de planejamento, 50 horas na execução e que envolveu 70 médicos, enfermeiros e técnicos. Atualmente, é diretor do Departamento de Neurocirurgia Pediátrica do Hospital Johns Hopkins. Ele foi premiado com a Medalha Presidencial da Liberdade em 2008 pelo então presidente dos Estados Unidos George W.Bush, a maior honraria civil daquele país, dentre vários outros que o consagraram. Em 4 de maio de 2015, em um comício na sua cidade natal, Detroit, Carson anunciou que concorreria para a nomeação republicana na eleição presidencial de 2016.

Carson disse que teve dificuldades no início do ensino fundamental, tornando-se o pior aluno de sua classe e alvo de abuso de seus colegas, e desenvolveu, em seguida, um incontrolável temperamento agressivo.Determinada a mudar a vida de seu filho, a Sra. Carson limitou o tempo que Ben passava assistindo a televisão e se recusou a deixá-lo sair para jogar até que ele terminasse a lição de casa todos os dias. Ela exigiu a leitura de dois livros por semana, com relatórios escritos sobre o que lia, porém, devido às limitações de sua formação, mal conseguia ler os relatórios que Ben escrevia. Ben logo surpreendeu seus colegas e professores com novos conhecimentos, "Foi nesse momento que eu percebi que não era burro", recordou mais tarde. Um ano depois, Ben Carson foi considerado o melhor aluno de sua classe.

Depois de determinar que queria ser um psiquiatra, Carson se formou com honras no ensino médio, com a participação da Universidade Yale, onde obteve uma licenciatura em psicologia. Ele então estudou na Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, onde seu interesse se deslocou para a neurocirurgia. Sua coordenação olho-mão e excelente capacidade de raciocínio fez dele um excelente cirurgião .Depois da escola médica ele se tornou o primeiro afro-americano residente de neurocirurgia do Hospital Johns Hopkins, em Baltimore. Aos 33 anos, tornou-se chefe dos residentes em neurocirurgia do hospital.


Tuesday, October 20, 2015

A história do carrossel holandês

Até a Copa do Mundo de 1974, a participação da Holanda em Mundiais era pífia: havia jogado apenas em 1934 e 1938 quando somaram duas derrotas em igual número de jogos. Os holandeses chegaram à Alemanha em 74 dispostos a mudar isso e traziam uma grande geração de craques que haviam feito sucesso nas competições de clubes europeus.

Os holandeses, comandados pelo técnico Rinus Michel, trouxeram à Copa um novo conceito de organização em campo: o “futebol total”. Muita marcação-pressão para abafar o adversário e roubar a bola e multiplicidade de funções dos jogadores, sem se descuidar de sua função principal. Todo o meio-campo ajudava a marcar, incluindo Cruyff e os atacantes Rep e Rensenbrink. Sempre que um rival tinha a bola, dois, três laranjinhas chegavam e lhe tiravam a bola. Retomando a bola, o time buscava muito toque e movimentação constante de todos os jogadores pelo campo, com atacantes e defensores se revezando em um esquema com atletas de alto nível técnico.

O time ganhou o apelido de “carrossel holandês” e os adversários de 1974 foram caindo um a um. A Holanda ficou em primeiro no seu grupo vencendo Uruguai e Bulgária e empatando com a Suécia. Na segunda fase a Holanda atropelou a Argentina (4 a 0), a Alemanha Oriental (2 a 0) e o Brasil, então campeão mundial (2 a 0). O time laranja se classificou para a final com a Alemanha Ocidental e chegou a abrir o placar aos 8 minutos em um gol de pênalti.


Segundo Rep, que foi o artilheiro da Holanda nas Copas do Mundo, esse gol logo no começo foi uma maldição para a seleção holandesa. “Foi muito cedo, esquecemos de fazer o segundo e começamos a brincar. Os alemães começaram a ficar agressivos e perdemos uma final que todos esperavam que ganhássemos”, explica Rep.

O que o modelo do "futebol total" do "carrossel holandês" nos ensina em termos de organização? E de boa vontade?

De doméstica a ministra

O gabinete da mais nova ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Delaíde Miranda Arantes, teria tudo para ser apenas mais uma suntuosa sala de trabalho do primeiro escalão do Judiciário não fossem duas pequenas fotos em preto e branco que decoram a mesa de trabalho da magistrada. Diminutas quando colocadas naquele amplo cenário de 70 metros quadrados com uma vista privilegiada do Lago Paranoá, as fotografias destoam da pompa que as cerca não pela simples moldura de madeira, mas sim pelo que retratam: duas dessas casinhas simplórias do interior rural brasileiro, pintadas com cal, com duas janelas e uma porta. As duas estão postadas sobre a longa mesa onde Delaíde dá expediente desde o dia 24 de março e dividem espaço com computadores de última geração, estantes repletas de obras de encadernação luxuosa e com móveis modernos que dão um ar sobriamente requintado ao gabinete.
As duas fotografias de cerca de 15 centímetros foram os únicos artigos pessoais que Delaíde levou para o gabinete. “Essas fotos são muito importantes para mim”, diz a ministra. “Foi nessas casas que passei minha infância, uma infância dura que me preparou para enfrentar todos os desafios que me fizeram chegar até aqui. Foi lá que comecei minha história.”
Em um país onde a inércia social sempre foi regra, Delaíde tem razão em orgulhar-se das duas pequenas casas que representam a epopeia que fez essa goiana de 58 anos abandonar a dura realidade do Brasil rural da década de 50 para alcançar um dos maiores postos do Judiciário brasileiro. Delaíde nasceu em uma delas, na pequena cidade de Pontalina, a 120 quilômetros da capital Goiânia. Filha de pequenos agricultores, passou a infância entre a diversão nas jabuticabeiras do sítio e a lida nas pequenas lavouras de feijão, arroz e milho que sustentaram sua família por décadas. “Aos 8 anos eu já ajudava meu pai na roça”, conta Delaíde.
Aos 16 anos, a ministra enfrentou o dilema que até hoje divide famílias rurais Brasil afora: continuar no campo trabalhando a terra pouco produtiva ou seguir para a cidade em busca de emprego para dar continuidade aos estudos. Optou por ser empregada doméstica a fim de conseguir estadia, comida e algum dinheiro para poder concluir o segundo grau. Por dois anos dividiu os cadernos com o escovão de aço, o ferro de passar roupa e a incômoda situação de saber ser explorada. Mesmo trabalhando as regulamentares oito horas diárias não recebia nem o equivalente ao salário mínimo. “Eu nem ao menos me lembro quanto era, mas só sei que era pouco, muito pouco.”
Foram dois anos assim. Ao terminar o segundo grau, Delaíde seguiu para Goiânia. Estava decidida a tornar-se advogada. Sem dinheiro para fazer um curso preparatório para o vestibular, começou a trabalhar como secretária em uma revendedora de tratores. “Passei quase dez anos trabalhando de dia e estudando à noite, até me formar em direito, aos 27 anos”, conta a magistrada. Já advogada, Delaíde especializou-se na área trabalhista, montou um escritório próprio em Goiânia e por três décadas defendeu empregados que, como ela na adolescência, se sentiam explorados por seus patrões. No ano passado, Delaíde foi indicada pela OAB para ocupar o cargo de ministra do TST e seu nome foi o escolhido entre outros dois indicados pela presidente Dilma Rousseff.
Agora, a ex-empregada doméstica tem o poder de decidir o destino de pelo menos 11 mil ações trabalhistas que estão sob sua alçada no TST. “São 11 mil processos, são 11 mil vidas. Cada processo é uma vida”, diz a ministra, que promete dar atenção especial àquelas mulheres que, como ela um dia, dedicam-se a cuidar da casa de terceiros. “O fato de o FGTS ser opcional para doméstica é resquício da escravidão. É preciso reformar a legislação trabalhista”, diz. Casada com o ex-deputado Aldo Arantes (PCdoB-GO) e mãe de duas filhas, Delaíde orgulha-se do passado difícil. “Fui privilegiada por Deus por ter tido essa experiência, o trabalho me tornou mais humanista.” As duas fotos em preto e branco sobre sua mesa não deixam ninguém esquecer disso.
Reportagem de 2011 na Isto É: http://www.istoe.com.br/reportagens/132371_DE+DOMESTICA+A+MINISTRA 

Monday, September 28, 2015

A nota de vinte dólares

Um  conhecido professor começou sua palestra segurando uma nota de vinte dólares numa sala com duzentas pessoas. Ele perguntou: “Quem gostaria de ganhar esta nota de vinte dólares?”  Mãos começaram a se levantar.

O professor disse: “Eu vou dar a esta nota de vinte dólares a um de vocês, mas em primeiro lugar, deixe-me fazer isso. “Ele começou a amassar o papel. Ele perguntou: “Quem ainda a quer?” Ainda muitas mãos se levantaram.

“Bem, se eu fizer isso?” Ele jogou a nota no chão e começou a pisá-la com seu sapato. Ele pegou-a, agora amassada e suja e perguntou: “Quem ainda quer?” Ainda assim as mãos se levantaram no ar.

Nesse dia todos aprenderam uma lição muito valiosa. Não importa o que foi feito com a nota, ela ainda era desejada por muitos, porque não houve redução no valor. Ela ainda vale vinte dólares.

Muitas vezes em nossas vidas, somos ignorados, amassados e moídos na sujeira, que são as decisões que tomamos e as circunstâncias que vêm em nosso caminho. Nós podemos nos sentir como se estivéssemos sem valor e inúteis.


Mas não importa o que aconteceu ou vai acontecer, você nunca perderá o seu valor: sujo ou limpo,  totalmente amassado ou levemente enrugado, você ainda é inestimável para aqueles que respeitam, consideram e amam você.

A última corda do violino

O lendário violinista Paganini era considerado por alguns como muito estranho. Outros diziam que era sobrenatural. As notas mágicas que saíam de seu violino tinham um som diferente, por isso ninguém queria perder a oportunidade de ver seu espetáculo.

Certa noite o palco de um auditório repleto de admiradores estava preparado para recebê-lo. A orquestra entrou e foi aplaudida. O maestro foi ovacionado. Mas quando a figura de Paganini surgiu, triunfante, o público delirou. Paganini coloca seu violino no ombro e o que se assiste a seguir é indescritível. Breves e semibreves, fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias parecem ter asas e voar com o toque daqueles dedos encantados.

De repente, um som estranho interrompe o devaneio da plateia. Uma das cordas do violino de Paganini arrebenta. O maestro parou. A orquestra parou. O público parou.

Mas Paganini não parou.

Olhando para sua partitura, ele continua a tirar sons deliciosos de um violino com problemas. O maestro e a orquestra, empolgados, voltam a tocar. Mal o público se acalmou quando, de repente, um outro som perturbador derruba a atenção dos assistentes. Uma outra corda do violino de Paganini se rompe. O maestro parou de novo. A orquestra parou de novo.

Paganini não parou.

Como se nada tivesse acontecido, ele esqueceu as dificuldades e avançou, tirando sons do impossível. O maestro e a orquestra, impressionados voltam a tocar. Mas o público não poderia imaginar o que iria acontecer a seguir. Todas as pessoas, pasmas, se sobressaltaram quando a terceira e penúltima corda do violino de Paganini se quebra. O maestro pára. A orquestra pára. A respiração do público pára.

Mas Paganini não pára.

Como se fosse um contorcionista musical, ele tira todos os sons da única corda que sobrara daquele violino destruído. Nenhuma nota foi esquecida. O maestro empolgado se anima. A orquestra se motiva. O público parte do silêncio para a euforia, da inércia para o delírio.

Paganini atinge a glória.


Seu nome e sua fama atravessam o tempo. Não apenas como um violinista genial, mas como símbolo do profissional que continua, mesmo diante do aparentemente impossível.