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Monday, September 28, 2015

O construtor de pontes

Mudar vidas construindo pontes é o que Toni Ruttimann tem feito nos últimos 27 anos. Inspirado por relatos dos estragos causados por um terremoto no Equador em 1987, ele jurou “fazer alguma coisa”. Depois de recolher doações em sua cidade natal na Suíça, foi para o Equador em busca de uma forma de ajudar. Na época com 20 anos, descobriu aldeões que haviam ficado isolados depois de perderem sua ponte. Esticando ao máximo a pequena quantia que trouxera da Suíça e com a ajuda de um engenheiro holandês, construiu com os aldeões sua primeira ponte em cinco meses. Encontrara o trabalho de sua vida.

Numa jornada de um homem só para “servir as pessoas pelo mundo”, ele dedica sua vida a construir pontes para pedestres em países desde Honduras até Camboja e Indonésia. Desde que iniciou sua forma única de ajuda humanitária, ele e uma equipe de soldadores dedicados ergueram mais de 660 pontes para pedestres, de 30 a 264 metros de comprimento, para atender 2 milhões de pessoas.

Algumas das pontes que Ruttimann constrói substituem as que foram destruídas ou se deterioraram, mas a maioria se encontra em locais onde nunca houve uma antes. “Buscamos nós mesmos os locais ou os aldeões vêm nos pedir a ponte”, diz ele.

Ruttimann exerce suas atividades de maneira discreta. Aceita apenas pequenas doações de pessoas físicas, a maioria de seu país de origem. Estabeleceu uma relação duradoura com a siderúrgica Tenaris, que contribuiu com tubos de aço suficientes para construir cerca de cem pontes, e com operadores de teleféricos, que doaram impressionantes 370 km de cabos provenientes de estações suíças de esqui. Os aldeões fornecem a mão de obra e compram o cimento (de 200 a 500 sacos), a areia e o cascalho necessários para as fundações da ponte.

Nenhum dos doadores de Ruttimann pede reconhecimento em troca dos materiais. “Eles concordam comigo que estamos fazendo isso pelas pessoas”, diz Toni.

Apesar de sua reputação ter se alastrado por toda a Ásia e outros lugares, muitas vezes Toni leva algum tempo para explicar sua filosofia. Por exemplo, depois de contar a um ministro de Mianmar sobre como constrói pontes de graça desde os 19 anos e dizer que queria continuar no país, o ministro perguntou:
– De graça? Diga a verdade. Por que faz isso?
– Vejo o sofrimento das pessoas que precisam de uma ponte e sei como ajudá-las – explicou. – E nasci para ser um construtor de pontes. Por último, é porque quero muito fazer isso.


Ruttimann não só conseguiu permissão para trabalhar em Mianmar como o governo o ajudou com as licenças para a importação de canos e cabos, e forneceu locais para reunir e armazenar materiais.

Tuesday, September 22, 2015

O jovem nadador

Em 2011 Marcos Macedo passou para a faculdade de Medicina no Rio Grande Norte e voltou a morar em Natal após cinco meses treinando natação nos Estados Unidos. Para colocar a vida em ordem,  se deu uma semana de férias. Voltava de um período de 45 dias na China, onde disputou o Mundial de Xangai. Nesse intervalo, foi convocado para participar do Pan de Guadalajara na prova de 4 por 100 metros no estilo livre.

Surpreendido, Marcos passou dias avaliando suas condições físicas. Procurou muito uma segunda piscina, onde pudesse fazer os treinos da manhã pelo menos três vezes por semana. Mas não conseguiu encontrar.

Marcos pensou, repensou, e achou melhor abrir mão da ida ao México. Numa entrevista ele declarou:
"Fácil não foi, mas tive que pensar bastante. Comecei a faculdade em agosto e também não ia ter condições de nadar bem lá no Pan. Não ia chegar com o nível competitivo exigido. Ainda mais depois dos 45 dias que fiquei fora do país. A vontade era de estar lá competindo, mas não estou em condições boas." 

Ele decidiu passar a vaga para outro nadador. Com o gesto de Marcos, a equipe brasileira, formada por João De Lucca, Bruno Fratus, Nicolas Oliveira e Marcelo Chierighini, conquistou a medalha de ouro no México, liderando praticamente a prova toda e nadando em ritmo forte, quebrando inclusive o recorde Pan-Americano.

Três anos mais tarde, Marcos Macedo, agora no terceiro ano de medicina, foi campeão Mundial em piscina curta no Catar. Ao lado de César Cielo, Felipe França e Guilherme Guido, ele ajudou o Brasil a conquistar o ouro nos revezemento 4 x 100 medley. De quebra, o resultado ajudou o Brasil a encerrar a competição na primeira colocação geral pela primeira vez ao somar 10 medalhas (sete de ouro, uma de prata e duas de bronze).