Mudar vidas construindo pontes é o que Toni Ruttimann tem
feito nos últimos 27 anos. Inspirado por relatos dos estragos causados por um
terremoto no Equador em 1987, ele jurou “fazer alguma coisa”. Depois de
recolher doações em sua cidade natal na Suíça, foi para o Equador em busca de
uma forma de ajudar. Na época com 20 anos, descobriu aldeões que haviam ficado
isolados depois de perderem sua ponte. Esticando ao máximo a pequena quantia
que trouxera da Suíça e com a ajuda de um engenheiro holandês, construiu com os
aldeões sua primeira ponte em cinco meses. Encontrara o trabalho de sua vida.
Numa jornada de um homem só para “servir as pessoas pelo
mundo”, ele dedica sua vida a construir pontes para pedestres em países desde
Honduras até Camboja e Indonésia. Desde que iniciou sua forma única de ajuda
humanitária, ele e uma equipe de soldadores dedicados ergueram mais de 660
pontes para pedestres, de 30 a 264 metros de comprimento, para atender 2
milhões de pessoas.
Algumas das pontes que Ruttimann constrói substituem as que
foram destruídas ou se deterioraram, mas a maioria se encontra em locais onde
nunca houve uma antes. “Buscamos nós mesmos os locais ou os aldeões vêm nos
pedir a ponte”, diz ele.
Ruttimann exerce suas atividades de maneira discreta. Aceita
apenas pequenas doações de pessoas físicas, a maioria de seu país de origem.
Estabeleceu uma relação duradoura com a siderúrgica Tenaris, que contribuiu com
tubos de aço suficientes para construir cerca de cem pontes, e com operadores
de teleféricos, que doaram impressionantes 370 km de cabos provenientes de
estações suíças de esqui. Os aldeões fornecem a mão de obra e compram o cimento
(de 200 a 500 sacos), a areia e o cascalho necessários para as fundações da
ponte.
Nenhum dos doadores de Ruttimann pede reconhecimento em
troca dos materiais. “Eles concordam comigo que estamos fazendo isso pelas
pessoas”, diz Toni.
Apesar de sua reputação ter se alastrado por toda a Ásia e
outros lugares, muitas vezes Toni leva algum tempo para explicar sua filosofia.
Por exemplo, depois de contar a um ministro de Mianmar sobre como constrói
pontes de graça desde os 19 anos e dizer que queria continuar no país, o
ministro perguntou:
– De graça? Diga a verdade. Por que faz isso?
– Vejo o sofrimento das pessoas que precisam de uma ponte e
sei como ajudá-las – explicou. – E nasci para ser um construtor de pontes. Por
último, é porque quero muito fazer isso.
Ruttimann não só conseguiu permissão para trabalhar em
Mianmar como o governo o ajudou com as licenças para a importação de canos e
cabos, e forneceu locais para reunir e armazenar materiais.
