A educadora Yvonne Bezerra de Mello é uma das maiores
ativistas sociais do Brasil. A experiência de ajudar as crianças vítimas da
Chacina da Candelária, em 1993, mudou sua vida. Foi a partir dessa tragédia que
ela descobriu que precisava fazer mais pelos meninos e meninas de rua. Veja
alguns pensamentos dela:
“Desde muito pequena, minha mãe me ensinou que o pensamento
positivo sobre todas as coisas que acontecem na vida é a chave para o
equilíbrio e o sucesso. A palavra “NÃO” inexistia em nossa casa e toda vez que
havia resistência ou limites, eles me eram explicados para que eu entendesse a
situação. Esse entendimento de que não existem problemas, mas soluções, norteou
minha infância, adolescência e ainda hoje me influencia.”
“Os anos de universidade e pesquisa me ensinaram que aquele
que cede nas suas ideias é um sério candidato à mediocridade. Passei a
perseguir cada vez mais o objetivo: evitar que milhões de crianças se tornassem
subempregados, trabalhadores infantis e que nunca tivessem um lugar de destaque
nas sociedades de diversos países.
Mas de nada servem os estudos e pesquisas se não passarmos à
ação. É a ação que move montanhas e que leva o homem a criar, construir e
melhorar sua existência e a dos outros. Depois da chacina da Candelária, abri a
primeira sala de aula do Projeto Uerê, uma escola alternativa, debaixo de um
viaduto, para 150 crianças e jovens. Foi quando entendi que para fazer o bem
não é necessário, num primeiro momento, ter fundos. A vontade ultrapassa todo o
dinheiro do mundo. É preciso fazer, deixar seus impulsos se tornarem realidade.
Descobri que nada é impossível quando realmente se quer alguma coisa.”
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