Numa pequena aldeia japonesa vivia um casal que muito se
amava, marido e mulher sempre felizes. Todos os
dias o marido saía muito cedo para
trabalho caminhando pela rua onde poucas pessoas encontrava.
Tudo corria às mil maravilhas até que num certo dia, quando andava pensativo e olhando para o chão, encontrou um pequeno espelho de bolso. Imediatamente abaixou-se e o apanhou. Qual não foi seu espanto quando ali viu a foto do seu velho pai já falecido. Depois de muito olhar e matar a saudade embrulhou aquele pequeno tesouro num lenço e o guardou no bolso para que ninguém mais o visse.
À noite, ao voltar para casa, tratou de esconder seu precioso retrato. Escolheu um local onde ninguém imaginaria encontrar algo: atras de um armário antigo que havia na cozinha. Todos os dias, antes de sair e quando chegava do trabalho, dava um jeito de ver a fotografia sem que sua mulher percebesse.
Sua mulher já andava desconfiada com alguns novos hábitos do marido, mas nada falou. Até que numa noite ficou espionando a chegada do fiel companheiro. Como sempre, ele chegava e ia ver a fotografia do seu falecido pai. Dessa forma ela descobriu que ali havia um segredo.
Ela esperou o marido dormir e foi ver o que havia de tão importante atrás daquele armário. Ao olhar o espelho seu susto foi imediato; seu marido tinha outra mulher e aquela era a imagem que provava tal fato.
Durante a noite ela não conseguiu dormir e logo pela manhã interpelou o marido;
- Então você anda me traindo com outra! e não adianta negar porque tenho a prova.
- Como
pode pensar isto? você é a única em minha vida e sabe muito bem disso.
-
Mentiroso! Traidor! aqui está a prova; uma foto dela que encontrei atrás do
armário.
-
Calma mulher; esta foto é do meu falecido pai.
- Como
pode ser tão cínico?
E a discussão não tinha fim.
Naquele momento, por ali passava um velho monge que todas as manhãs andava pela rua meditando e orando. Diante de tão feroz discussão, resolveu intervir para apaziguar o casal. Aproximou-se da porta perguntou o que estava acontecendo para tal discussão.
A mulher, ainda cheia de raiva, explicou:
- Meu
marido está me traindo com outra; encontrei uma foto dela que ele mantinha
escondida atrás do armário.
-
Deixe-me ver, disse o velho monge. E apanhou o pequeno espelho.
- Ora, minha senhora, não é nada do
que está pensando; Esta foto é do meu irmão, que também era monge e morreu no
mar, durante uma tempestade, quando pescava. Esta foto lhe pertencia e deve ser
levada ao local onde ele faleceu para que ele finalmente descanse em paz. E foi
embora levando o espelho, que depois atirou ao mar.
MORAL DA HISTÓRIA
Às vezes julgamos pelas aparências e não aceitamos
explicações. É preciso ter calma e sempre ouvir os dos lado da história para
juntos chegar a um acordo.
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